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G20: Washington quer unir seus parceiros à sua estratégia contra o Irã

Sexta-feira 28 Agosto 2026 - 08:54
G20: Washington quer unir seus parceiros à sua estratégia contra o Irã

Os Estados Unidos pretendem colocar o Irã no centro de suas discussões com as principais potências econômicas mundiais. À medida que se aproxima uma reunião do G20 prevista em Asheville, na Carolina do Norte, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, deve multiplicar as trocas com seus homólogos para aumentar a pressão internacional sobre Teerã.

Esse encontro, que reunirá na segunda e terça-feira os ministros das Finanças e os responsáveis pelos bancos centrais das grandes economias, ocorre em um contexto de fortes tensões comerciais e geopolíticas. Washington deseja, em particular, convencer seus parceiros a apoiar sua estratégia voltada para os países que continuam suas relações econômicas com o Irã.

Scott Bessent esperado na frente da pressão econômica

O Tesouro americano recentemente endureceu seu discurso em relação aos parceiros comerciais do Irã. Scott Bessent alertou os países que mantêm suas relações econômicas com Teerã que eles podem se expor a medidas que afetem seu acesso ao sistema financeiro ocidental.

A China, membro do G20 e importante cliente do petróleo iraniano, já demonstrou sua determinação em defender seus interesses. Essa divergência ilustra as dificuldades que Washington pode enfrentar para obter um consenso entre as grandes potências econômicas.

Em Asheville, o secretário do Tesouro deve, portanto, fazer da questão iraniana um dos principais temas de suas conversas bilaterais, em um contexto em que os Estados Unidos buscam intensificar o uso de instrumentos econômicos e financeiros em sua política internacional.

Uma presidência do G20 sob tensão

A presidência americana do G20 se abre em um clima marcado por desavenças com vários parceiros. As tensões comerciais, especialmente com o Canadá, complicam a busca por uma posição comum entre as grandes economias ocidentais.

Para vários observadores, essa fragmentação pode limitar a capacidade dos Estados Unidos de federar os membros do G20 em torno de questões sensíveis, seja em relação ao Irã, ao comércio internacional ou à estabilidade financeira global.

A administração americana, no entanto, deseja reorientar os trabalhos do grupo para as questões econômicas. Donald Trump defende uma abordagem que privilegia o crescimento, os desequilíbrios comerciais e as questões financeiras, em detrimento dos grandes temas sociais e climáticos que marcaram várias cúpulas anteriores.

Questões econômicas no centro das discussões

A reunião de Asheville ocorre também em um momento em que os mercados acompanham de perto as orientações da administração americana. Scott Bessent recentemente chamou a atenção dos investidores ao mencionar uma intervenção nos mercados destinada a reduzir os custos de empréstimo a longo prazo do governo federal.

A dívida pública americana, que ultrapassou 40 trilhões de dólares, constitui um dos grandes desafios econômicos que Washington deve enfrentar.

Criado após as crises financeiras asiáticas do final dos anos 1990, o G20 reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana. Seu papel é promover a coordenação entre as principais economias sobre os grandes desafios financeiros e econômicos globais.

Este ano, a configuração política do grupo também evolui. Os Estados Unidos excluíram a África do Sul das reuniões no âmbito de sua presidência, enquanto a Polônia foi convidada a participar dos trabalhos. A Rússia, envolvida na guerra contra a Ucrânia desde 2022, deve ser representada por um emissário de seu ministério das Relações Exteriores.

O ciclo de reuniões deve culminar com uma cúpula de chefes de Estado prevista para meados de dezembro na Flórida. Até lá, Washington deverá tentar conciliar sua ambição de reorientar os trabalhos do G20 para suas prioridades econômicas e comerciais com a necessidade de preservar um mínimo de diálogo entre parceiros cujos interesses divergem cada vez mais.


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