Marrocos pede mudança de gestão de crises para soluções humanitárias sustentáveis
Marrocos pediu uma nova abordagem à ação humanitária internacional, enfatizando soluções de longo prazo que possam ajudar comunidades vulneráveis a superar gradualmente crises e reduzir sua dependência da assistência humanitária.
A posição foi apresentada em Roma pelo Embaixador e Representante Permanente de Marrocos nas agências da ONU com sede na capital italiana, Youssef Balla, durante discussões sobre a implementação de um quadro estratégico para cooperação em contextos frágeis e afetados por crises.
A reunião foi realizada como parte da 10ª sessão conjunta envolvendo os órgãos governamentais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.
Balla saudou o progresso feito sob o quadro de cooperação existente e destacou a importância da ação coordenada entre as agências da ONU com sede em Roma, à medida que as crises se tornam cada vez mais complexas, prolongadas e interconectadas.
Ao mesmo tempo, ele argumentou que a cooperação internacional deve ir além da resposta a crises e colocar maior ênfase na criação de caminhos para a recuperação. Em muitos ambientes frágeis, as intervenções humanitárias podem continuar por anos à medida que as emergências se tornam prolongadas ou recorrentes, levantando questões sobre a eficácia dos mecanismos existentes em apoiar saídas sustentáveis de situações de crise.
Num contexto de recursos financeiros em diminuição, o diplomata marroquino enfatizou que a gestão de crises não deve se tornar um modelo permanente. Ele pediu, em vez disso, políticas que criem as condições necessárias para que as populações afetadas reconstruam seus meios de subsistência e reduzam progressivamente sua dependência da ajuda internacional.
Essa transição, disse ele, requer esforços coordenados para abordar os fatores estruturais que impulsionam a vulnerabilidade, incluindo insegurança alimentar, pobreza rural, deslocamento, conflito, mudanças climáticas e fraquezas nos sistemas alimentares locais.
Balla também pediu uma cooperação mais forte entre as agências da ONU com sede em Roma e instituições financeiras internacionais, doadores e outros parceiros de desenvolvimento. Essas parcerias, argumentou, poderiam ajudar a garantir que as intervenções humanitárias sejam integradas em estratégias de longo prazo focadas na resiliência e na recuperação.
O representante marroquino ainda enfatizou que a cooperação não deve se limitar a melhorar a coordenação uma vez que uma crise já tenha surgido. Em vez disso, deve contribuir desde o início para a construção de caminhos de recuperação e fortalecimento das capacidades nacionais e locais.
A proposta de Marrocos surge em meio a discussões internacionais mais amplas sobre como os sistemas humanitários podem responder a crises cada vez mais prolongadas, enquanto fazem um uso mais eficaz de recursos limitados. A abordagem coloca maior ênfase na ligação da assistência de emergência com o desenvolvimento, resiliência e soluções impulsionadas localmente.
Balla concluiu que a eficácia da ação humanitária não deve ser medida apenas pela capacidade de responder a uma emergência, mas também se essa resposta contribui para soluções sustentáveis e ajuda a prevenir que crises temporárias se tornem situações permanentes.
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