Crise no Médio Oriente: Diplomacia intensifica-se, combates agravam-se
Ao 59º dia do conflito no Médio Oriente, a situação continua marcada por uma acentuada escalada das tensões militares, diplomacia fragmentada e crescentes repercussões económicas nos mercados globais.
Diplomaticamente, as trocas estão a aumentar, mas têm dificuldade em produzir progressos concretos. O Kremlin confirmou um encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, em São Petersburgo. Esta visita faz parte de uma digressão diplomática mais ampla, após discussões em Omã sobre a segurança do Estreito de Ormuz, uma importante artéria estratégica para o comércio global. O Irão terá também transmitido mensagens a Washington, via Paquistão, sobre as suas posições em relação às questões nucleares e à liberdade de navegação no Estreito.
No terreno, a violência mantém-se intensa. No Líbano, os ataques atribuídos ao exército israelita mataram vários civis, incluindo crianças, e feriram muitos outros, segundo as autoridades locais. Este é um dos maiores números de mortos registados desde a implementação de um cessar-fogo recente, já de si frágil. No sul do país, o exército israelita anunciou também a morte de um jovem soldado num incidente operacional.
O Hezbollah acusa Israel de violar os acordos de cessar-fogo e promete represálias, enquanto o Governo israelita acredita que as ações do grupo armado minam a estabilidade do acordo. Na Faixa de Gaza, as operações militares continuam a provocar baixas, segundo as autoridades locais.
Nos Estados Unidos, a posição mantém-se firme. O presidente norte-americano, Donald Trump, reafirmou a sua recusa em retomar as negociações bilaterais diretas com o Irão nas condições atuais, embora deixe em aberto a possibilidade de contactos indiretos. Washington está a seguir uma estratégia de pressão máxima, acreditando que isso lhe confere uma vantagem diplomática e estratégica.
Na vertente económica, os mercados petrolíferos estão a reagir fortemente à instabilidade regional. Os preços do petróleo subiram, impulsionados pela incerteza em torno do Estreito de Ormuz e pela suspensão de algumas negociações diplomáticas. Este aumento reflecte a preocupação dos investidores com o risco de uma interrupção duradoura do fornecimento global de energia.
Neste contexto, a guerra no Médio Oriente continua a expandir-se para além da esfera militar. Envolve agora importantes intervenientes internacionais, exercendo uma pressão crescente sobre a economia global e os equilíbrios geopolíticos. Os esforços de mediação, embora numerosos, não conseguiram ainda travar a escalada desta dinâmica.
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