Quênia: a atividade do setor privado volta a cair em agosto
O setor privado queniano enfrentou um novo retrocesso em agosto. Segundo o índice PMI do Stanbic Bank Quênia, a atividade contraiu pela primeira vez em três meses, penalizada pelo aumento dos custos das matérias-primas, as tensões de tesouraria e as dificuldades de suprimento.
Um PMI abaixo do limiar de crescimento
A economia queniana mostra sinais de fragilidade no final do verão. O índice de gerentes de compras (PMI) do Stanbic Bank Quênia estabeleceu-se em 49,7 pontos em agosto, contra 51,3 em julho.
Essa queda faz com que o indicador fique abaixo da barreira simbólica de 50 pontos, que separa uma expansão da atividade de uma contração. Este é, portanto, o primeiro recuo do setor privado em três meses.
A degradação reflete, em particular, uma redução da produção e das compras realizadas pelas empresas, mesmo com a demanda permanecendo relativamente sustentada.
Os custos complicam a recuperação
Para as empresas, o principal problema agora reside na sua capacidade de transformar a demanda em atividade real. O aumento do preço das matérias-primas e as restrições de tesouraria limitam suas margens de manobra.
Essa situação leva algumas empresas a rever para baixo seus volumes de produção e suas compras, em um contexto onde as dificuldades de suprimento continuam a pesar sobre a atividade.
O diagnóstico destaca, assim, um descompasso entre a demanda e a capacidade das empresas de atendê-la. Mesmo quando os livros de pedidos melhoram, as restrições financeiras e o aumento dos insumos podem impedir uma aceleração da produção.
A inflação permanece sob vigilância
A pressão sobre os custos também se reflete nos dados macroeconômicos. A inflação anual no Quênia subiu ligeiramente em agosto, atingindo 6,6%, contra 6,5% em julho, segundo o escritório nacional de estatísticas.
Essa evolução, embora limitada, ocorre em um momento em que as empresas já devem lidar com altos custos de produção e liquidez mais difícil de mobilizar.
A manutenção de uma inflação superior a 6% é, portanto, um elemento de vigilância para os agentes econômicos, particularmente nos setores dependentes de matérias-primas e cadeias de suprimento.
Perspectivas de crescimento ainda sólidas
Apesar desse retrocesso pontual, as autoridades quenianas mantêm uma visão relativamente otimista para os próximos anos.
O ministério das Finanças prevê um crescimento econômico de 5% em 2026, antes de uma aceleração para 5,1% em 2027 e 5,2% em 2028.
Essas projeções se baseiam na hipótese de uma melhoria gradual da atividade. A queda do PMI em agosto, no entanto, lembra que essa trajetória pode permanecer irregular, especialmente se as tensões sobre os custos e a tesouraria persistirem.
Para o setor privado, o desafio será, portanto, conseguir acompanhar a demanda enquanto controla as despesas que pesam sobre a produção. A capacidade das empresas de recuperar margens financeiras suficientes pode ser determinante para confirmar a recuperação esperada pelas autoridades.
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