Marrocos lidera debate internacional sobre inteligência artificial e desarmamento em Genebra
Marrocos, que atualmente preside o Grupo de Embaixadores da Francófona em Genebra, acolheu na segunda-feira um evento de alto nível no Palácio das Nações sobre o tema “Inteligência Artificial e Desarmamento: Processos em Curso e Aplicações Práticas”. O encontro decorreu à margem das consultas informais das Nações Unidas sobre a utilização da inteligência artificial na área militar e as suas implicações para a paz e a segurança internacionais.
Organizado em parceria com a Organização Internacional da Francofonia (OIF), o evento reuniu representantes de organizações internacionais, de França, das Forças Armadas Reais Francesas e vários especialistas envolvidos em discussões sobre as novas tecnologias aplicadas à segurança global.
No seu discurso de abertura, o Embaixador Omar Zniber, Representante Permanente de Marrocos junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra e Presidente do Grupo de Embaixadores da Francófona, enfatizou a crescente importância do tema num contexto internacional marcado por rápidos avanços tecnológicos e pela proliferação de desafios à segurança. Enfatizou a necessidade de integrar uma dimensão ética em qualquer consideração sobre a utilização da inteligência artificial em aplicações militares.
As discussões realçaram a visão de Marrocos sobre a integração da inteligência artificial nos sistemas de defesa. O Reino defende uma abordagem baseada na utilização desta tecnologia como ferramenta para fortalecer a confiança, melhorar o conhecimento da situação operacional e apoiar as forças no terreno, preservando, ao mesmo tempo, o papel central da tomada de decisão humana.
Esta estratégia está estruturada em torno de três dimensões complementares: regulamentar, normativa e baseada nas capacidades. Visa, nomeadamente, garantir a proteção dos dados, o respeito pela cadeia de comando, a adaptação aos valores nacionais e a gestão controlada do ciclo de vida das soluções de inteligência artificial.
Marrocos reafirmou ainda o seu compromisso com o equilíbrio entre a inovação tecnológica, os requisitos de segurança, os valores humanos e o respeito pelo direito internacional. O Reino reiterou a sua participação activa nas discussões multilaterais sobre a governação das novas tecnologias e as suas implicações para a paz mundial.
Por sua vez, Henri Monceau, Observador Permanente da Organização Internacional da Francofonia junto das Nações Unidas em Genebra e Viena, destacou os desafios associados ao rápido desenvolvimento da inteligência artificial, defendendo uma governação baseada na transparência e na proteção dos direitos fundamentais.
O representante do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento (UNIDIR), Federico Mantellassi, realçou que a inteligência artificial pode contribuir para os objetivos do desarmamento, desde que se garanta a transparência, a robustez e a governação dos sistemas implementados. Salientou ainda a importância da qualidade dos dados e do reforço da cooperação entre peritos técnicos e decisores políticos.
A Representante Permanente de França junto da Conferência sobre o Desarmamento, Anne Lazare-Sourisse, reiterou a necessidade de respeitar o direito internacional humanitário, manter um rigoroso controlo humano sobre os sistemas de armas e preservar as cadeias de comando, reconhecendo, ao mesmo tempo, o potencial operacional da inteligência artificial.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha também participou nas discussões. O seu representante, Laurent Gisel, alertou para a natureza ambivalente da inteligência artificial, que tanto pode melhorar a proteção das populações como gerar novos riscos. Defendeu uma regulamentação rigorosa destas tecnologias para prevenir abusos relacionados com vieses algorítmicos e erros de direcionamento.
As discussões convergiram, em última análise, para a necessidade de adoptar uma abordagem equilibrada, baseada na responsabilidade, transparência e cooperação internacional, para garantir que o desenvolvimento da inteligência artificial contribui para os objectivos de paz, segurança e desarmamento num ambiente global em constante evolução.
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