Cuba busca adesão plena ao BRICS
Cuba está buscando se tornar um membro pleno do grupo BRICS, enquanto Havana procura aprofundar seu engajamento com economias emergentes e fortalecer seu papel em um sistema internacional cada vez mais multipolar.
O Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que Havana está pronta para contribuir com o grupo e expressou a ambição do país de ir além de seu status atual como país parceiro do BRICS.
“Estamos também prontos para contribuir, com base em nossa modesta experiência, para fortalecer o BRICS, cuja importância está crescendo, e que aspiramos a nos juntar como membros plenos”, disse Rodríguez em declarações publicadas pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
O ministro cubano também destacou o que descreveu como o papel do BRICS na oposição a medidas coercitivas unilaterais. Seus comentários refletem a crítica de longa data de Havana às sanções econômicas e outras restrições impostas por países individuais, particularmente os Estados Unidos.
O interesse de Cuba em uma adesão plena ao BRICS surge à medida que o grupo continua a expandir seu alcance internacional. Originalmente estabelecido em 2006 pelo Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco admitiu a África do Sul em 2011, transformando o BRICS em uma plataforma mais ampla para cooperação entre as principais economias emergentes.
O grupo passou por outra grande expansão em 2024, quando Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos se tornaram membros plenos. A Indonésia se juntou posteriormente como membro pleno em 2025, aumentando ainda mais o peso econômico e geopolítico do grupo.
O BRICS também desenvolveu uma estrutura de país parceiro para estados que buscam uma cooperação mais estreita sem se tornarem imediatamente membros plenos. Bielorrússia, Bolívia, Vietnã, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão foram reconhecidos como países parceiros.
Para Havana, a adesão plena poderia proporcionar maiores oportunidades para fortalecer laços econômicos, diplomáticos e financeiros com países fora das instituições tradicionais lideradas pelo Ocidente. Cuba enfrentou dificuldades econômicas prolongadas e extensas sanções dos EUA, tornando parcerias internacionais alternativas uma prioridade importante para o governo.
O BRICS não opera como uma aliança política ou militar convencional. Em vez disso, fornece uma plataforma para cooperação econômica, diálogo político e coordenação em questões como comércio, desenvolvimento, finanças e governança internacional. O grupo tem se apresentado cada vez mais como uma voz para economias em desenvolvimento e emergentes que buscam maior influência na tomada de decisões globais.
A potencial adesão de Cuba adicionaria outro país latino-americano a um grupo que já inclui o Brasil, uma das maiores economias da região. Havana historicamente manteve relações diplomáticas e econômicas próximas com vários membros do BRICS, incluindo Rússia e China.
A expansão do BRICS atraiu crescente atenção internacional à medida que os estados membros buscam aumentar a cooperação e reduzir a dependência de instituições e mecanismos financeiros dominados por potências ocidentais. No entanto, o grupo permanece diverso, com seus membros perseguindo diferentes prioridades econômicas e de política externa.
O pedido de Cuba, portanto, representa mais um sinal do crescente interesse entre os países em desenvolvimento em laços mais estreitos com o BRICS. Se Havana eventualmente obterá a adesão plena dependerá dos procedimentos internos do grupo e da posição de seus membros existentes.
Para Cuba, entrar no BRICS representaria, no entanto, um desenvolvimento diplomático significativo e poderia oferecer caminhos adicionais para cooperação econômica, investimento e engajamento internacional em um momento em que o país busca novas parcerias para enfrentar seus desafios econômicos.
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