Grossi questiona a viabilidade de supervisão global para inteligência artificial
O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, expressou ceticismo sobre a possibilidade de estabelecer um sistema global único para supervisionar a inteligência artificial, argumentando que a tecnologia está evoluindo muito rapidamente e em muitas jurisdições para que um controle centralizado seja realista.
Em uma entrevista, Grossi disse que a complexidade dos sistemas de IA e as diferentes abordagens adotadas pelas principais potências tecnológicas tornam difícil imaginar uma autoridade unificada capaz de gerenciar o desenvolvimento global da IA. Em vez de buscar uma governança centralizada, ele sugeriu que governos e organizações internacionais se concentrem em desenvolver padrões práticos e princípios compartilhados que possam incentivar a inovação responsável.
Grossi enfatizou a importância da cooperação entre instituições públicas e empresas de tecnologia privadas, observando que muitos dos avanços mais significativos em inteligência artificial estão sendo impulsionados pelo setor privado. Ele argumentou que a colaboração com líderes da indústria é essencial para estabelecer salvaguardas mínimas, permitindo ao mesmo tempo que a inovação continue.
Apesar de reconhecer os desafios, Grossi expressou otimismo em relação à inteligência artificial, dizendo que a tecnologia tem um enorme potencial para melhorar a pesquisa científica, a saúde, a gestão de energia e a produtividade industrial, se implantada de forma responsável.
O debate sobre a governança da IA ocorre enquanto organizações internacionais intensificam discussões sobre as oportunidades e riscos associados a sistemas de IA cada vez mais poderosos. Governos em todo o mundo estão trabalhando para equilibrar a inovação com preocupações relacionadas à privacidade, cibersegurança, desinformação, propriedade intelectual e o uso ético de tecnologias autônomas.
Ao mesmo tempo, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu a criação de um quadro internacional abrangente para a inteligência artificial. Falando em um diálogo global sobre IA em Genebra, ele alertou que tecnologias originalmente desenvolvidas para fins civis estão sendo cada vez mais adaptadas para aplicações militares, levantando preocupações sobre armas autônomas e riscos de segurança mais amplos.
Guterres também enfatizou que futuros acordos internacionais devem priorizar a segurança humana, a transparência e a responsabilidade, garantindo que os benefícios da IA sejam compartilhados de forma mais ampla em todo o mundo. Ele destacou a necessidade de expandir o acesso digital e proteger populações vulneráveis, especialmente crianças, da manipulação e do uso indevido de tecnologias emergentes.
À medida que a inteligência artificial continua a transformar economias e sociedades, espera-se que as discussões entre governos, organizações internacionais, pesquisadores e empresas de tecnologia desempenhem um papel central na formação de futuros padrões globais para o desenvolvimento e a implantação responsável da IA.
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