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Duas startups portuguesas integram o núcleo de inovação da OTAN

Terça-feira 13 Janeiro 2026 - 13:15
Duas startups portuguesas integram o núcleo de inovação da OTAN

Há notícias que, mesmo discretas no meio jornalístico, dizem muito sobre a fase que um país atravessa. A seleção de duas empresas portuguesas para o acelerador de inovação da NATO, entre milhares de candidaturas de 32 países, é uma dessas notícias.

Entre mais de mil concorrentes, apenas 150 empresas foram selecionadas. Duas delas são portuguesas: a Neuraspace e a Connect Robotics, ambas nascidas e criadas no ecossistema do Porto, ligadas à UPTEC, o parque científico e tecnológico da Universidade do Porto. Não é por acaso. É consequência de um ecossistema que amadureceu.

O programa chama-se DIANA — Aceleradora de Inovação em Defesa do Atlântico Norte — e não é apenas mais uma aceleradora. É uma das principais plataformas globais para o desenvolvimento de tecnologia de dupla utilização, ou seja, soluções que servem tanto para aplicações civis e institucionais quanto estratégicas. As empresas selecionadas recebem um financiamento inicial de 100 mil euros, acesso a mais de 180 centros de testes da OTAN, validação em ambientes reais e a possibilidade de novos financiamentos de até 300 mil euros.

Mas o maior valor não está apenas no dinheiro. Está na integração direta no circuito de tomada de decisões tecnológicas da Aliança Atlântica.

A Neuraspace atua na área espacial e desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para tornar os satélites mais autônomos, capazes de responder a riscos como ciberataques, colisões ou falhas operacionais. O fato de essa tecnologia estar sendo desenvolvida em parceria direta com a OTAN não só reforça a robustez técnica da empresa, como também a posiciona no centro de um dos mercados mais exigentes do mundo: o de infraestrutura crítica global.

A Connect Robotics, por outro lado, atua na área de logística autônoma. Sua plataforma, independente de fabricantes de drones, permite transformar equipamentos existentes em sistemas de entrega inteligentes e interoperáveis. Começou no setor civil, com aplicações nas áreas médica, industrial e de inspeção de infraestrutura. Agora, essa mesma base tecnológica será adaptada para cenários de emergência e operações de alta complexidade, sempre com foco na redução do risco humano.

O que estas duas histórias demonstram é algo maior do que o sucesso de duas empresas. Demonstram que Portugal já não é apenas um consumidor de tecnologia, mas sim um produtor relevante de soluções de vanguarda.

Eles também demonstram a força do ecossistema universitário e nacional de incubação. A UPTEC, as universidades, os fundos europeus, os programas nacionais e uma nova geração de empreendedores altamente qualificados criaram uma base que hoje compete ao mais alto nível.

Mais do que isso, confirmam uma tendência que tenho observado tanto em Portugal como no estrangeiro: os investidores internacionais estão cada vez mais atentos às empresas portuguesas nas áreas da tecnologia avançada, inteligência artificial, espaço, robótica e sistemas autónomos. Não pela mão de obra barata, mas pela qualidade, fiabilidade e capacidade de execução.

A integração destas startups na DIANA abre portas a novos mercados, novas parcerias e uma clara aceleração do seu crescimento internacional. E, ao mesmo tempo, envia um sinal muito forte ao mundo: Portugal está a jogar nas principais ligas da inovação tecnológica.

É assim que se constrói relevância econômica no século XXI: com talento, ciência, tecnologia e visão de longo prazo.


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