Escalada mortal na fronteira Afeganistão-Paquistão: mais de 50 civis mortos
Um porta-voz do Governo afegão afirmou este sábado que mais de 50 civis foram mortos em confrontos com o Paquistão.
Hamdullah Fitrat disse que, desde quinta-feira, "52 civis, a maioria mulheres e crianças, foram mortos, 66 ficaram feridos e oito casas foram completamente destruídas".
As vítimas foram registadas nas províncias de Paktika, Khost, Kunar, Nangarhar e Kandahar, segundo declarações separadas publicadas na rede social norte-americana X.
Não houve resposta imediata de Islamabad às acusações.
A tensão entre os dois países vizinhos é elevada desde a noite de quinta-feira, quando Cabul lançou "operações de retaliação" ao longo da fronteira após os ataques aéreos paquistaneses do passado domingo.
O Paquistão respondeu com fogo pesado e ataques aéreos contra várias províncias do Afeganistão.
O número de mortos em ambos os lados da fronteira subiu para 78, segundo dados de Cabul.
Entre os mortos, estão 12 soldados paquistaneses e um civil, enquanto Cabul afirmou que 13 dos seus soldados foram mortos e 52 civis perderam a vida durante os confrontos.
Um soldado paquistanês continua desaparecido.
O Ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, afirmou no sábado que 352 operacionais talibãs afegãos e suspeitos de militância foram mortos e 535 ficaram feridos em ataques aéreos e confrontos desde quinta-feira.
Cabul, por sua vez, afirmou que 56 soldados paquistaneses foram mortos nos confrontos na fronteira.
Os números de Islamabad e Cabul não puderam ser verificados de forma independente.
O Paquistão insistiu que a sua "autodefesa" "garantiu" que nenhum civil fosse visado.
Noutro incidente, o Paquistão frustrou no sábado uma tentativa de infiltração de terroristas no Setor de Qila Saifullah, informou a emissora estatal Pakistan Television, citando fontes de segurança.
"Vários terroristas foram mortos depois de as forças armadas paquistanesas terem frustrado a tentativa de infiltração", informou a emissora.
No passado domingo, o Paquistão lançou ataques aéreos contra "alvos terroristas", matando 70 "terroristas", enquanto as autoridades afegãs e a ONU reportaram mortes de civis, alegações que o Paquistão nega.
As relações deterioraram-se nos últimos meses, com o Paquistão a acusar os militantes de operarem a partir de território afegão, uma alegação que Cabul rejeita, mesmo com a continuidade dos contactos diplomáticos regionais no meio dos esforços para aliviar as tensões.
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