Líderes internacionais pedem paz e diálogo após EUA e Israel matarem Khamenei
Os líderes mundiais apelaram à paz e ao regresso às negociações, enquanto os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão – que, segundo o Irão, mataram o seu Líder Supremo, o Ayatollah Ali Khamenei – alimentaram os receios de que a violência se pudesse espalhar por toda a região, enquanto Teerão prometia uma retaliação devastadora.
Uma enorme explosão abalou a capital iraniana na manhã de domingo, enquanto os militares israelitas afirmavam estar a visar o "coração" da cidade, depois de terem declarado ter libertado o caminho para Teerão no dia anterior.
Entretanto, o Irão prosseguia com a sua campanha de retaliação: o Qatar, o Kuwait e o Bahrein disseram ter intercetado uma saraivada de mísseis.
Omã, que serviu de interlocutor entre Teerão e Washington nas recentes negociações nucleares, afirmou que um petroleiro no estratégico Estreito de Ormuz foi atacado e que o seu porto em Duqm, utilizado pela Marinha norte-americana como centro logístico e capaz de abrigar porta-aviões, foi alvo de um ataque com um drone.
O assassinato de Khamenei, que não tinha um sucessor designado, irá provavelmente lançar incertezas sobre o futuro do Irão e agravar as crescentes preocupações com um conflito mais amplo.
Os receios de que o conflito se alastre aumentaram no domingo, quando o ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou que os ataques com mísseis e drones iranianos passaram a poucos metros de um grupo de 300 militares britânicos no Bahrein, e que dois mísseis chegaram a ser disparados na direcção da parte greco-cipriota da ilha de Chipre, onde o Reino Unido mantém bases.
"Não acreditamos que os alvos fossem Chipre, mas, mesmo assim, é um exemplo de como existe uma ameaça muito real e crescente por parte de um regime que está a atacar amplamente a região, e isso exige que ajamos", disse Healey à Sky News.
Afirmou que os aviões britânicos irão intercetar quaisquer drones e mísseis iranianos que avistarem.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um grande ataque contra o Irão, e o presidente norte-americano, Donald Trump, apelou à população iraniana para "tomar as rédeas do seu destino" insurgindo-se contra a teocracia islâmica que governa o país desde 1979.
Os principais diplomatas dos 27 países da União Europeia estão a realizar este domingo uma reunião de emergência para discutir a situação no Irão e os próximos passos do bloco.
"Os ataques indiscriminados do regime iraniano contra os seus vizinhos representam o risco de arrastar a região para uma guerra mais ampla, e nós condenamos isso", disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, ao anunciar a reunião do bloco este domingo.
"É essencial que a guerra não se propague ainda mais. O regime iraniano tem escolhas a fazer", acrescentou.
O Papa Leão XIV disse este domingo estar "profundamente preocupado" com os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão e instou ambos os lados a "parar a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável".
Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU no sábado, o secretário-geral da ONU e muitos países instaram a suspensão dos ataques e o regresso às negociações para evitar que o conflito se propague ainda mais pela região e fora dela.
O secretário-geral António Guterres disse ao Conselho que tudo deve ser feito para evitar uma escalada.
"A alternativa", alertou, "é um potencial conflito mais vasto com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional".
Talvez cautelosos em relação a relações já tensas com Trump, muitas nações, incluindo várias do Médio Oriente, abstiveram-se de comentar directa ou incisivamente os ataques conjuntos, mas condenaram a retaliação de Teerão.
"Recuperem o bom senso... e lidem com os vossos vizinhos com razão e responsabilidade antes que o círculo de isolamento e escalada se alargue", disse Anwar Gargash, conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, à teocracia iraniana no domingo.
A Liga Árabe, composta por 22 nações, classificou os ataques iranianos como "uma violação flagrante da soberania dos países que defendem a paz e lutam pela estabilidade".
Esta coligação de nações condenou historicamente tanto Israel como o Irão por acções que, segundo ela, ameaçam desestabilizar a região.
Entretanto, a Arábia Saudita pediu em privado ao Irão que não atacasse o reino, disse um diplomata saudita. A Arábia Saudita relatou o que pareciam ser ataques em Riade e na região leste no sábado, embora não tenham sido relatadas vítimas.
No domingo, o líder russo, Vladimir Putin, criticou duramente o assassinato de Khamenei, que classificou como "uma violação cínica de todas as normas da moralidade humana e do direito internacional".
"O assassinato flagrante do líder de um Estado soberano e a incitação à mudança de regime são inaceitáveis", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, num telefonema com o seu homólogo russo, Sergey Lavrov, de acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
"Estas ações violam o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais".
Disse que atacar um Estado soberano sem autorização do Conselho de Segurança da ONU mina a base para a paz estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
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