Como Marrocos se tornou um gigante global da energia solar

Ontem 14:15
Como Marrocos se tornou um gigante global da energia solar

Num contexto global marcado pela aceleração da transição energética e pela procura de soluções sustentáveis ​​para os desafios climáticos, Marrocos está gradualmente a consolidar-se como um dos atores mais ambiciosos no setor das energias renováveis. Graças a investimentos significativos em energia solar e a uma estratégia a longo prazo, o Reino está a reforçar a sua posição no panorama energético internacional.

No centro desta dinâmica está o projeto "Noor Atlas", um vasto complexo solar desenvolvido nas regiões desérticas do sul de Marrocos. Com uma capacidade de produção projetada até 20.000 megawatts, esta infraestrutura apresenta-se como um dos projetos energéticos mais ambiciosos do continente africano e do mundo.

Localizado numa área estimada de 45.000 hectares, o complexo beneficia de condições naturais particularmente favoráveis. O sul de Marrocos apresenta um dos mais elevados índices de insolação do mundo, oferecendo um potencial excecional para a geração de eletricidade a partir da energia solar.

O projeto baseia-se numa combinação de tecnologias de ponta, incluindo painéis fotovoltaicos, centrais de energia solar concentrada e sistemas de armazenamento térmico utilizando sais fundidos. Esta tecnologia permite que o calor produzido durante o dia seja armazenado e libertado durante a noite, garantindo assim um fornecimento de eletricidade mais estável e contínuo. A capacidade de armazenamento pode chegar até às dezasseis horas, uma grande vantagem para a gestão do fornecimento de energia.

Para além da sua dimensão energética, o complexo tem também uma importância geoeconómica estratégica. Ligado a uma rede nacional de transmissão de electricidade de alta tensão, foi concebido para ser interligado aos mercados europeus através de interligações, principalmente através do Estreito de Gibraltar. Esta configuração reforça o papel de Marrocos como porta de entrada energética entre África e a Europa.

De acordo com várias estimativas do sector, as exportações de energia verde marroquina para os mercados europeus podem representar vários milhares de megawatts por ano. Tal perspectiva permitiria ao Reino gerar receitas significativas, reduzindo a sua dependência das importações de combustíveis fósseis, principalmente gás e carvão.

Os especialistas realçam que a força do modelo marroquino reside tanto na sua capacidade produtiva como na sua visão estratégica. O Reino procura transformar as suas vastas regiões desérticas num pólo global de produção de energia renovável, transformando uma ideia considerada teórica numa realidade industrial em rápida expansão.

Apesar dos desafios relacionados com os custos de infra-estruturas e com a transmissão de electricidade a longas distâncias, a experiência marroquina está já a atrair o interesse de vários países do Norte de África. Em última análise, este modelo poderá ajudar a remodelar os fluxos de energia entre os dois continentes e a reforçar a posição de África no panorama global da energia limpa.

Através desta estratégia, Marrocos visa não só satisfazer as suas próprias necessidades energéticas, mas também tornar-se um importante fornecedor de energia verde e um ator fundamental na transição energética internacional.



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