BRICS explora ligações de pagamentos transfronteiriços e moedas digitais
O grupo BRICS está examinando maneiras de melhorar os pagamentos transfronteiriços, potencialmente ligando sistemas de pagamento rápido e moedas digitais de bancos centrais entre seus estados membros, de acordo com o governador do Banco da Reserva da Índia, Sanjay Malhotra.
Falando em um evento em Mumbai, Malhotra disse que reduzir o custo e a complexidade dos pagamentos internacionais continua sendo uma prioridade importante para as economias do BRICS. Várias opções estão sendo consideradas, incluindo a interoperabilidade entre redes nacionais de pagamento rápido e possíveis conexões envolvendo moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).
As discussões ainda estão em estágio inicial, e nenhum quadro final foi adotado. No entanto, uma maior compatibilidade entre as infraestruturas de pagamento nacionais poderia tornar as transações transfronteiriças mais rápidas, baratas e acessíveis, particularmente para o comércio realizado em moedas locais.
A Índia também continua os esforços para internacionalizar a rupia e incentivar o uso de moedas nacionais no comércio e pagamentos internacionais. Essas iniciativas fazem parte de um esforço mais amplo do BRICS para fortalecer a cooperação financeira e reduzir a dependência de canais tradicionais de pagamento internacional.
Malhotra também destacou o papel crescente da inteligência artificial no setor bancário. Em vez de tratar a IA apenas como um risco potencial, ele argumentou que as instituições financeiras deveriam desenvolver a capacidade de usar a tecnologia de forma responsável. Ele pediu aos bancos indianos que identificassem os sistemas de IA que utilizam e estabelecessem estruturas de governança aprovadas por seus conselhos.
A discussão sobre moedas digitais ganhou importância dentro do BRICS, à medida que vários bancos centrais ao redor do mundo exploram as CBDCs como uma ferramenta potencial para modernizar os sistemas de pagamento. A interoperabilidade entre essas moedas poderia, eventualmente, facilitar transações internacionais enquanto reduz a dependência de intermediários convencionais.
O BRICS, originalmente estabelecido pelo Brasil, Rússia, Índia e China em 2006, antes da adesão da África do Sul em 2011, expandiu-se significativamente nos últimos anos. O grupo tem se concentrado cada vez mais na cooperação financeira, no comércio em moeda local e no desenvolvimento de mecanismos de pagamento alternativos.
A Índia, que ocupa a presidência do BRICS em 2026, deve desempenhar um papel importante na promoção das discussões sobre conectividade de pagamentos. Qualquer sistema futuro, no entanto, exigiria um acordo entre os países participantes sobre padrões técnicos, regulamentação, cibersegurança e supervisão financeira.
Para as economias emergentes, a potencial integração de sistemas de pagamento rápido e moedas digitais poderia representar um passo significativo em direção a transações financeiras internacionais mais eficientes. A iniciativa também reflete o esforço mais amplo dentro do BRICS para fortalecer os laços econômicos, ao mesmo tempo em que dá aos estados membros maior flexibilidade na condução do comércio transfronteiriço.
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