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Trump reúne-se com Rutte enquanto pondera deixar a NATO

Quinta-feira 09 Abril 2026 - 08:01
Trump reúne-se com Rutte enquanto pondera deixar a NATO

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, reuniu-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta-feira, numa tentativa de atenuar a irritação do presidente com a aliança devido à guerra com o Irão, enquanto colocava a hipótese de retirar os EUA da NATO.

Trump tinha sugerido que os EUA poderiam considerar abandonar a aliança transatlântica depois de os países membros da NATO terem ignorado o seu apelo para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital, enquanto o Irão o fechava efectivamente e fazia disparar os preços da gasolina.

O encontro do presidente republicano com Rutte, com quem mantinha uma relação cordial, acontece depois de os EUA e o Irão terem acordado, na noite de terça-feira, um cessar-fogo de duas semanas que inclui a reabertura do estreito. O incipiente cessar-fogo foi firmado depois de Trump ter dito que iria atacar centrais elétricas e pontes iranianas, ameaçando que "toda uma civilização morrerá esta noite".

Trump tinha sugerido que os EUA poderiam considerar abandonar a aliança transatlântica depois de os países membros da NATO terem ignorado o seu apelo para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital, enquanto o Irão o fechava e fazia disparar os preços da gasolina.

O encontro do presidente republicano com Rutte, com quem mantinha uma relação cordial, acontece depois de os EUA e o Irão terem acordado, na noite de terça-feira, um cessar-fogo de duas semanas que inclui a reabertura do estreito. O incipiente cessar-fogo foi firmado depois de Trump ter dito que iria atacar centrais elétricas e pontes iranianas, ameaçando que "toda uma civilização morrerá esta noite". O plano para reabrir o estreito ainda está incerto e era esperado que fosse um dos principais focos da reunião da tarde de quarta-feira com Rutte, que decorreu à porta fechada.

Questionada na quarta-feira se Trump ainda ponderava deixar a NATO, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse: "É algo que o presidente discutiu e acredito que será discutido novamente dentro de algumas horas com o secretário-geral Rutte".

O secretário de Estado, Marco Rubio, reuniu-se separadamente com Rutte na manhã de quarta-feira, no Departamento de Estado, antes das conversações na Casa Branca. Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que Rubio e Rutte discutiram a guerra com o Irão, bem como os esforços dos EUA para negociar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e "o aumento da coordenação e a redistribuição de responsabilidades com os aliados da NATO".

O Congresso aprovou, em 2023, uma lei que impede qualquer presidente dos EUA de se retirar da NATO sem a sua aprovação. Trump tem sido um crítico de longa data da NATO e, no seu primeiro mandato, sugeriu que tinha autoridade para, por conta própria, abandonar a aliança, fundada em 1949 para combater a ameaça da Guerra Fria à segurança europeia representada pela União Soviética.

O cerne do compromisso assumido pelos seus 32 países membros é um acordo de defesa mútua, em que um ataque a um deles é considerado um ataque a todos. A única vez em que este acordo foi acionado foi em 2001, para apoiar os Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro em Nova Iorque e Washington.

Apesar disso, Trump queixou-se, durante a sua guerra declarada contra o Irão, que a NATO demonstrou não estar presente para os EUA.

Antes da reunião, o senador Mitch McConnell, republicano do Kentucky, divulgou na noite de terça-feira um comunicado em apoio da aliança, referindo que "após os ataques de 11 de Setembro, os aliados da NATO enviaram os seus jovens militares para lutar e morrer ao lado dos americanos no Afeganistão e no Iraque".

McConnell, que integra uma comissão que supervisiona os gastos com a defesa, instou Trump a ser "claro e consistente" e afirmou que não é do interesse dos Estados Unidos "gastar mais tempo a alimentar ressentimentos com aliados que partilham os nossos interesses do que a deter adversários que nos ameaçam".

Caso a reunião de Rutte não alivie as frustrações de Trump, não é claro se a administração Trump irá contestar a lei que impede um presidente de se retirar da NATO. Quando a lei foi aprovada, foi defendida pelo atual secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, que na altura era senador pela Florida.

A aliança já estava abalada no último ano, com o regresso de Trump ao poder e a redução do apoio militar dos EUA à Ucrânia na guerra contra a Rússia, além da ameaça de anexação da Gronelândia, território aliado da Dinamarca.

Mas a pressão de Trump sobre a NATO intensificou-se após o início da guerra com o Irão, no final de Fevereiro, com o presidente a insistir que garantir a segurança do Estreito de Ormuz não era da responsabilidade dos Estados Unidos, mas sim dos países que dependem do fluxo de petróleo por ali. "Vão até ao estreito e simplesmente tomem-no", disse Trump na semana passada.

Trump também se mostrou irritado com o facto de os aliados da NATO, Espanha e França, terem proibido ou restringido a utilização do seu espaço aéreo ou instalações militares conjuntas aos EUA na guerra com o Irão. Estes países e outras nações, no entanto, concordaram em ajudar uma coligação internacional a abrir o Estreito de Ormuz quando o conflito terminar.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que tem sido uma fonte particular de frustração para Trump, viajaria na quarta-feira para o Golfo para apoiar o cessar-fogo. O Reino Unido tem trabalhado no desenvolvimento de um plano de segurança pós-conflito para o estreito, uma via navegável estreita entre o Irão e o Omã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Trump já ameaçou abandonar a NATO e afirmou frequentemente que abandonaria os aliados que não investissem o suficiente nos seus orçamentos militares. O antigo secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, nas suas memórias recentes, afirmou temer que Trump pudesse abandonar a aliança em 2018, durante o seu primeiro mandato como presidente.

 


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