Países Baixos: nova taxa aérea ameaça a competitividade dos aeroportos holandeses
A partir de janeiro de 2027, os viajantes que partem dos Países Baixos poderão ver a tributação aérea aumentar significativamente em trajetos mais longos. Apresentada pelo governo como uma ferramenta tanto fiscal quanto ambiental, essa reforma provoca uma reação negativa das companhias aéreas, que temem que mais passageiros cruzem as fronteiras para embarcar em voos na Alemanha ou em outros países vizinhos.
Uma tributação que aumentará com a distância
O sistema holandês de tributação do transporte aéreo deve evoluir a partir do início de 2027. Enquanto a taxa atualmente é fixada em 30,25 euros por passageiro partindo de um aeroporto do país, seu valor será ajustado de acordo com a distância percorrida.
Após a indexação à inflação, o valor deverá permanecer próximo ao seu nível atual para voos de curta distância. Por outro lado, alcançará cerca de 49 euros para conexões de média distância e quase 73 euros para voos de longa distância.
Para as autoridades holandesas, essa diferenciação atende, entre outros, a um objetivo climático. Os voos mais longos, associados a emissões mais elevadas de dióxido de carbono, serão mais onerados.
A reforma deve gerar cerca de 257 milhões de euros em receitas fiscais adicionais a cada ano.
As companhias temem um efeito bumerangue
No entanto, o setor aéreo vê nessa reforma um risco para a atratividade das infraestruturas holandesas. Os transportadores temem que um aumento nos tributos faça com que os passageiros mudem seu aeroporto de partida em vez de desistirem de viajar.
A Ryanair está entre as companhias mais críticas. A transportadora de baixo custo pede a eliminação da taxa no orçamento de 2027 e afirma que tal mudança ajudaria a sustentar a conectividade aérea, o turismo e o emprego.
A companhia também alerta que não planeja aumentar sua capacidade nos Países Baixos enquanto o sistema estiver em vigor. Ela estima que os aeroportos holandeses já estão perdendo parte de sua clientela em favor de plataformas situadas nos países vizinhos, especialmente na Alemanha.
A Alemanha acentua o contraste
A comparação com a Alemanha alimenta as preocupações do setor. Enquanto os Países Baixos se preparam para aumentar a tributação sobre voos de média e longa distância, Berlim decidiu reduzir a taxa sobre os bilhetes a partir de julho.
Após essa redução, o imposto alemão é de cerca de 13 euros para voos de curta distância, 33 euros para voos de média distância e 59 euros para voos de longa distância. A diferença em relação aos valores previstos nos Países Baixos torna-se, portanto, particularmente visível em trajetos internacionais mais longos.
Para as companhias, essa diferença pode alterar o comportamento dos viajantes, especialmente nas regiões próximas à fronteira alemã.
Os transportadores alertam sobre as consequências econômicas
A Corendon compartilha essas preocupações. A companhia acredita que o nível de tributação nos Países Baixos pode se tornar significativamente superior ao observado nos países vizinhos. Ela destaca que essa carga adicional pode ser especialmente sensível para as famílias que economizam por meses para financiar suas férias.
O fenômeno das partidas de aeroportos estrangeiros já estaria em aumento. A Corendon cita a Alemanha como um destino privilegiado para alguns viajantes holandeses e prevê, paralelamente, reforçar suas operações a partir de Düsseldorf, com uma ligação direta para Curaçao a partir de dezembro.
A Transavia também alerta para uma degradação da posição competitiva das transportadoras que operam nos Países Baixos. Segundo a companhia, diferenças fiscais muito grandes entre países europeus podem acabar impactando a atividade econômica e o emprego.
Um debate que ultrapassa as fronteiras holandesas
A controvérsia destaca uma dificuldade mais ampla enfrentada pelos governos europeus: como usar a tributação para reduzir o impacto ambiental do transporte aéreo sem fragilizar a competitividade das companhias e dos aeroportos nacionais?
A questão não diz respeito apenas ao preço pago pelo passageiro. Quando os níveis de tributação diferem significativamente de um país para outro, o risco é deslocar parte da demanda para as plataformas menos onerosas.
Nos Países Baixos, o governo terá, portanto, que arbitrar entre o objetivo de gerar novas receitas e o de preservar uma conectividade aérea competitiva. Para as companhias, a questão agora é saber se a nova tributação realmente reduzirá a pegada do transporte aéreo ou se contribuirá principalmente para deslocar as partidas para os aeroportos dos países vizinhos.
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