ONU alerta para crise humanitária “sem precedentes” no Iémen
As Nações Unidas voltaram a dar o alarme na quinta-feira sobre a situação humanitária no Iémen, que descreveram como “mais grave do que nunca”, onde mais de dez anos de conflito mergulharam grande parte da população em situação de extrema necessidade.
Num discurso no Conselho de Segurança, Lisa Doughten, funcionária do Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), falando em nome do responsável da agência, Tom Fletcher, indicou que 22,3 milhões de pessoas – mais de metade da população – necessitarão de assistência humanitária em 2026. Este número representa um aumento de 2,8 milhões de pessoas em relação ao ano anterior.
A responsável da ONU realçou que o Iémen está a viver “a crise alimentar mais grave da região”. Mais de 18 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda, incluindo 5,5 milhões em situações de emergência. As crianças estão a pagar um preço elevado: mais de 2,2 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição aguda, enquanto aproximadamente metade das crianças do país sofre de atrasos de crescimento. Além disso, 1,3 milhões de mulheres grávidas ou lactantes correm o risco de sofrer de subnutrição até 2026.
O sistema de saúde, já fragilizado por anos de guerra, encontra-se numa situação crítica. Quase 40% das unidades de saúde estão fora de serviço ou ameaçadas de encerramento por falta de financiamento. Esta vulnerabilidade alimentou o ressurgimento de doenças evitáveis: entre Janeiro e Setembro de 2025, o país registou 18.600 casos de sarampo, incluindo 188 mortes, para além de 350.000 casos de cólera, resultando em 1.100 mortes.
Além disso, a ONU denunciou a detenção arbitrária de 73 dos seus funcionários pelos rebeldes houthis, bem como de dezenas de funcionários de ONG e actores da sociedade civil, o que complica ainda mais as operações humanitárias.
O financiamento para a ajuda humanitária continua a ser lamentavelmente insuficiente. O apelo humanitário lançado pelas Nações Unidas e pelos seus parceiros recebeu apenas 28,5% da verba necessária, obrigando as agências a fazerem escolhas difíceis na distribuição da assistência. Lisa Doughten apelou aos Estados-membros para que aumentem o seu apoio financeiro, a fim de evitar uma escalada ainda maior da crise.
Após mais de uma década de conflito, o Iémen continua a ser um dos cenários humanitários mais críticos do mundo, onde as emergências alimentares, de saúde e sociais continuam a agravar-se.
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