Macron alerta Europa para se preparar para maior hostilidade dos EUA
O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a Europa deve preparar-se para uma maior hostilidade dos EUA, instando o bloco a tratar o "momento Gronelândia" como um alerta para impulsionar reformas há muito adiadas, visando reforçar o seu poder global.
Em entrevista a vários jornais europeus, o líder francês afirmou que a UE não deve confundir uma trégua nas tensões com Washington com uma mudança duradoura, apesar da pausa nas ameaças americanas sobre a Gronelândia, o comércio e a tecnologia.
Macron instou os líderes da UE a aproveitarem a cimeira num castelo belga esta semana para injetar um novo fôlego nas reformas económicas, reforçando a competitividade do bloco e reforçando a sua capacidade de enfrentar a China e os Estados Unidos no palco mundial.
"Quando há um claro ato de agressão, penso que o que devemos fazer não é curvar-nos ou tentar chegar a um acordo", disse Macron ao Le Monde, ao Financial Times e a outros jornais, em declarações publicadas na terça-feira. "Tentámos esta estratégia durante meses. Não está a funcionar", disse.
Macron afirmou que a administração Trump estava a ser "abertamente antieuropeu" e a procurar o "desmembramento" da UE. Disse que previa mais tensões com a administração Trump, incluindo sobre a regulamentação da tecnologia digital na Europa.
"Os EUA, nos próximos meses – disso não há dúvida – vão atacar-nos por causa da regulamentação digital", acrescentou Macron, alertando para possíveis tarifas de importação impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, caso a UE utilize a sua Lei dos Serviços Digitais para controlar as empresas tecnológicas.
"A Europa precisa de proteção, não de protecionismo"
A Europa precisa de ser mais resiliente face ao duplo desafio dos Estados Unidos e da China, disse Macron.
"Temos o tsunami chinês na frente comercial e a instabilidade constante do lado americano. Estas duas crises representam um choque profundo – uma rutura para os europeus", continuou.
Macron, cujo segundo mandato termina na primavera de 2027, renovou o seu apelo para que a UE inicie um programa de empréstimos conjuntos mais abrangente, a fim de ajudar o bloco das 27 nações a investir em grande escala e a desafiar a hegemonia do dólar norte-americano.
"Os mercados mundiais estão cada vez mais cautelosos com o dólar norte-americano. Estão a procurar alternativas. Vamos oferecer-lhes dívida europeia", disse Macron, acrescentando que as instituições democráticas da Europa são um grande trunfo para os investidores numa altura em que os EUA estão a "afastar-se do Estado de direito".
A UE utilizou dívida conjunta em 2020 para reativar a economia europeia após a pandemia de COVID-19, mas as tentativas francesas de tornar estes instrumentos permanentes enfrentaram forte resistência por parte da Alemanha e de outros Estados-membros do norte mais austeros.
A cimeira de quinta-feira incluirá discussões sobre os planos liderados pela França para uma estratégia "Made in Europe" que estabeleceria requisitos mínimos de conteúdo europeu nos produtos fabricados localmente. A abordagem dividiu os países da UE e alarmou os fabricantes de automóveis.
"Para mim, a estratégia económica para tornar a nossa Europa numa potência reside naquilo a que chamo protecção, que não é proteccionismo, mas sim preferência europeia", disse Macron.
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