Trump critica Starmer pela recusa do Reino Unido em apoiar ataques ao Irão
Donald Trump voltou a criticar Keir Starmer pela recusa do Reino Unido em apoiar os ataques ofensivos contra o Irão, afirmando que “a relação não é obviamente o que era”.
Starmer tinha emitido a sua mais forte crítica até à data à ação de Trump no Irão, dizendo que o Reino Unido não acreditava numa “mudança de regime pelos céus” e defendeu a sua decisão de não permitir o uso de bases britânicas para realizar os ataques.
Mas o primeiro-ministro disse que o Reino Unido permitiria a utilização das suas bases para acções defensivas, a fim de proteger as forças e nações aliadas no Golfo e no Médio Oriente que foram atingidas por uma onda de ataques de retaliação após os ataques EUA-Israel ao Irão.
Em entrevista ao The Sun, Trump comparou desfavoravelmente as ações de Starmer com o apoio da França aos ataques e com o apoio do secretário-geral da NATO, Mark Rutte. “Ele não tem sido nada prestável. Nunca pensei ver isto. Nunca pensei ver isto vindo do Reino Unido. Adoramos o Reino Unido”, disse.
“É um mundo diferente, na verdade. É um tipo de relação muito diferente da que tínhamos com o vosso país antes. É muito triste ver que a relação não é, obviamente, a mesma.”
Starmer já tinha sido elogiado pela sua capacidade de manter uma boa relação com o volátil presidente dos EUA, mas na segunda-feira, na Câmara dos Comuns, o primeiro-ministro expressou dúvidas sobre a acção dos EUA em Teerão e a sua legalidade.
“Todos nos lembramos dos erros do Iraque e aprendemos estas lições. Quaisquer ações do Reino Unido devem ter sempre uma base jurídica e um plano viável e bem elaborado”, disse. “Este é o princípio que apliquei às decisões que tomei durante o fim de semana.”
Em resposta aos comentários de Trump, o secretário-chefe do primeiro-ministro, Darren Jones, reiterou que o Reino Unido não se envolveria em ataques ofensivos.
“Penso que a frustração do Presidente, pela forma como a expressou, reside no facto de não termos participado nos ataques iniciais americanos e israelitas no Irão. Mas, como o primeiro-ministro disse ontem à Câmara dos Comuns, só mobilizaremos as forças armadas britânicas quando for do interesse do Reino Unido, com um plano claro e em bases legais”, afirmou.
“Agora estamos a fazê-lo para fins de defesa, mas não nos vamos envolver num conflito mais amplo no Médio Oriente”.
Na sua entrevista, Trump disse desejar “muita sorte” a Starmer e afirmou ter uma “ótima relação” com o povo do Reino Unido. Disse ainda que o Reino Unido “já não é um país tão reconhecível… quer dizer, basta olhar para o que aconteceu recentemente e verá que é muito diferente”.
Afirmou que a colaboração do Reino Unido em ações ofensivas não faria grande diferença para os objetivos dos EUA.
“Não vai fazer diferença, mas [Starmer] devia ter ajudado… devia mesmo. Quer dizer, a França tem sido ótima. Todos têm sido ótimos. O Reino Unido tem sido muito diferente dos outros”, disse. “Vocês viram o secretário-geral da NATO, as coisas fantásticas que ele disse, Mark Rutte, ele é grande.”
Trump disse que Starmer também precisava de mudar de rumo em relação ao acordo das Ilhas Chagos – que os EUA tinham apoiado anteriormente – bem como à exploração de petróleo e gás no Mar do Norte e à imigração. “Impedir a entrada de pessoas de terras estrangeiras que vos odeiam”, disse. Questionado sobre se Starmer estava a tentar conquistar o voto muçulmano, Trump disse que “poderia ser” esse o caso.
Jones disse que esta interpretação “não estava correta”. E acrescentou: “O Reino Unido agirá no interesse dos cidadãos britânicos, independentemente da sua fé ou do local onde se encontram no Reino Unido.
“Penso que o público diria, com razão, que não quer envolver-se numa guerra mais ampla no Médio Oriente, mas esperaria que fizéssemos tudo o que pudéssemos para defender os cidadãos britânicos”.
Num discurso na Câmara dos Comuns, na segunda-feira, Starmer afirmou que o Reino Unido estava a mobilizar aviões e a permitir a utilização de bases para fins defensivos devido aos ataques lançados pelo Irão contra aliados britânicos na região em retaliação.
Disse que a Royal Air Force (RAF) intercetou um ataque de drone iraniano que se dirigia para uma base da coligação no Iraque, onde estavam estacionadas forças britânicas. Dois drones foram também disparados contra a base britânica no Chipre, a RAF Akrotiri, que, segundo Starmer, foram lançados antes da declaração de domingo à noite sobre a utilização de bases britânicas pelos EUA.
Starmer não tinha anteriormente manifestado oposição explícita à onda inicial de ataques EUA-Israel contra o Irão no sábado, que resultou na morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país, e de outros altos dirigentes iranianos.
Desde então, o Irão lançou uma série de ataques de retaliação com mísseis e drones contra diversos alvos no Golfo e no Médio Oriente, incluindo os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, o Kuwait, o Qatar, o Iraque, o Bahrein e o Omã.
Espera-se que o Reino Unido permita que os EUA utilizem as bases aéreas da RAF em Fairford, Gloucestershire, e Diego Garcia, nas Ilhas Chagos, para bombardear as "cidades de mísseis" do Irão, locais onde são armazenados mísseis balísticos de alta velocidade, as armas mais perigosas do Irão, e a partir dos quais podem ser lançados.
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