Irã: Exército anuncia reconstrução de suas armas danificadas após a guerra
O exército iraniano afirma ter restaurado todos os sistemas de armas danificados durante a guerra com os Estados Unidos e Israel e ter fortalecido suas capacidades militares graças a novos equipamentos, alguns dos quais teriam sido importados do exterior. Este anúncio ocorre em um momento em que as tensões continuam altas ao redor do estreito de Ormuz e as perspectivas de uma resolução duradoura do conflito permanecem incertas.
Teerã reivindica uma atualização de suas capacidades militares
O porta-voz do exército iraniano, o general de brigada Mohammad Akraminia, declarou na quarta-feira, 26 de agosto, à televisão estatal que os sistemas pertencentes às diferentes forças e danificados durante os confrontos foram "reconstruídos". Segundo ele, novos equipamentos também foram incorporados às forças iranianas.
Parte desses materiais viria da indústria de defesa nacional e do exército, enquanto outros teriam sido adquiridos no exterior. Para Teerã, essa combinação entre reparo, modernização e renovação dos equipamentos deve permitir manter as capacidades operacionais das forças armadas.
Essa comunicação se insere em uma estratégia já destacada pelas autoridades militares iranianas desde a instauração do cessar-fogo. No início de agosto, Mohammad Akraminia explicava que o exército aproveitava esse período para restaurar os sistemas danificados, integrar novos equipamentos e desenvolver suas capacidades industriais nacionais.
Uma reconstrução realizada durante a trégua
O conflito desencadeado no final de fevereiro pelas ações americanas e israelenses contra o Irã afetou profundamente as infraestruturas militares iranianas. Após várias semanas de combates, um cessar-fogo concluído em abril permitiu suspender parte dos confrontos diretos, sem, no entanto, eliminar as tensões regionais.
Desde então, Teerã apresenta o período de relativa calma como uma oportunidade para reorganizar suas forças e fortalecer seu aparato militar.
O exército iraniano havia anunciado, em julho, a integração de novos equipamentos, particularmente na área de defesa aérea. Segundo as declarações de seu porta-voz, sistemas reparados haviam sido reintroduzidos nas estruturas operacionais, enquanto novos materiais estavam sendo gradualmente implantados.
As autoridades iranianas afirmam também ter aprendido com os combates recentes para melhorar o design, a produção e o desdobramento de seus sistemas militares. O comando da defesa aérea indicou que alguns equipamentos que apresentaram bons resultados durante a guerra agora estão sujeitos a programas de reprodução e aprimoramento.
O Irã agora menciona ataques "preventivos"
Além da questão dos equipamentos, o discurso militar iraniano se torna mais duro. Mohammad Akraminia defendeu o princípio de uma eventual ação preventiva, considerando-a legítima quando se insere no âmbito do direito internacional e respeita os princípios de necessidade e proporcionalidade.
Essa declaração ocorre após várias posições recentes que indicam uma evolução da postura militar iraniana. O porta-voz do exército já havia afirmado que a doutrina de defesa do país estava gradualmente evoluindo para uma postura mais ofensiva, garantindo que o Irã pretende responder a qualquer nova agressão.
A abrangência jurídica de um "ataque preventivo" permanece, no entanto, particularmente sensível. O uso da força é regulamentado pela Carta das Nações Unidas, especialmente pelas regras relativas à proibição do uso da força e ao direito à legítima defesa. A afirmação de um Estado de que uma operação seria preventiva ou defensiva não é, por si só, suficiente para estabelecer sua conformidade com o direito internacional.
O estreito de Ormuz permanece no centro das tensões
A situação ao redor do estreito de Ormuz continua a ser um dos principais pontos de fricção entre o Irã, os Estados Unidos e seus parceiros regionais. Esta passagem marítima estratégica desempenha um papel crucial nas exportações energéticas globais e tem sido objeto de fortes restrições e tensões militares nos últimos meses.
As discussões para encontrar um acordo sobre a navegação no estreito continuam paralelamente aos esforços diplomáticos. O Irã e Omã avançaram recentemente em um projeto de gestão da navegação nesta área, enquanto Washington continua a exigir um acesso seguro e regular a esta via marítima.
Essa situação confere ao estreito uma importância que ultrapassa amplamente a dimensão militar. A diminuição do tráfego marítimo afeta as cadeias de suprimentos e mantém incertezas nos mercados de energia. As tensões ao redor de Ormuz constituem, assim, um dos principais riscos de prolongamento do conflito.
Uma demonstração de força tanto quanto uma mensagem política
Ao afirmar ter restaurado seus equipamentos danificados e recebido novos sistemas, Teerã também busca enviar uma mensagem a seus adversários: apesar dos ataques sofridos, o aparato militar iraniano pretende manter sua capacidade de reação.
No entanto, continua difícil avaliar de forma independente a extensão real dos reparos e das novas aquisições anunciadas pelas autoridades iranianas. As informações disponíveis sobre perdas militares, estoques de armas e o estado exato das infraestruturas de defesa permanecem fragmentadas.
Neste estágio, a comunicação do exército iraniano reflete principalmente uma vontade de demonstrar que o período de cessar-fogo não foi sinônimo de desarmamento. Pelo contrário, Teerã afirma ter utilizado esse período para reparar, modernizar e fortalecer suas forças, enquanto as negociações diplomáticas permanecem frágeis e o risco de uma nova escalada não pode ser descartado.
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