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Guerra aberta entre PJ e PSP

Sexta-feira 13 Dezembro 2024 - 16:33
Guerra aberta entre PJ e PSP

PSP acusa PJ de violar constantemente o segredo de Justiça para prejudicar os seus agentes. ‘É a guerra aberta’, diz um oficial.

«É uma vergonha. Deixámos de estar numa democracia, num Estado de direito democrático. Não há presunção de inocência, e a violação do segredo de Justiça é constante e permanente. Ainda por cima toda a gente sabe quem é que está a violar o segredo de Justiça e não há qualquer problema. Está-se a fazer um julgamento na praça pública, no fundo é isto».

A declaração é feita por um alto quadro da PSP, referindo-se às últimas notícias avançadas pela CNN Portugal, que dão conta de que «a investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público à morte de Odair Moniz, no bairro da Cova da Moura, Amadora, já concluiu que o auto de notícia não pode ter sido escrito pelo agente que baleou a vítima, desde logo porque quando o documento foi elaborado, horas depois do incidente e nas instalações da PSP, o polícia em causa não estava sequer na divisão da Amadora, onde prestava serviço, mas a ser interrogado na sede da PJ em Lisboa».

Auto sem assinatura

O canal de televisão diz ainda que «quando o auto de notícia chegou à PJ, para ser junto ao processo onde o agente é investigado por homicídio, ainda não estava assinado pelo próprio, que era suposto ter escrito o documento. São conclusões que chocam de frente com a versão oficial da PSP, que afirmou ter sido o ‘polícia interveniente’ a elaborar o auto». Para o alto quadro da PSP, a história é outra. «Isto é uma vergonha, sempre fomos transparentes. Como é óbvio, os polícias, quer sejam os colegas, quer seja a hierarquia, numa situação destas, e outras semelhantes ou mais complicadas, auxiliam-se mutuamente na elaboração de expediente. APSP sempre disse isso desde o início. O expediente foi acompanhado pela hierarquia, não há aqui nada a omitir». A mesma fonte refuta ainda a notícia que passou na CNN Portugal. «O expediente vai sempre por assinar para a PJ, como é óbvio. E a PJ sabe isso muito bem. O original, assinado, vai para o Ministério Público, com o ofício. Faz-se o expediente, imprime-se, o original é assinado pelo agente autuante, vai para o Ministério Público, e à PJ dá-se conhecimento por email, com um print que é retirado do sistema, que, como é óbvio, não vai assinado».

Declaração de guerra

A relação entre as duas polícias agudizou-se nos últimos tempos, havendo aqui, como em quase tudo, duas leituras opostas. De um lado, estão aqueles que dizem que a Polícia Judiciária nunca perdoou à PSP ter sido esta Polícia a ir com os procuradores a São Bento, aquando da Operação Influencer, que fez cair o Governo maioritário de António Costa. Do outro, estão aqueles que acham que a PSP não deve ter competências na área da investigação e que, por isso, é preciso desacreditá-la.

Em final de outubro, quando os bairros à volta de Lisboa estavam a ferro e fogo, a revelação do testemunho do agente suspeito de ter morto Odair Moniz – um cabo-verdiano que recusou parar a uma ordem policial e que abalroou vários carros, antes de se ter envolvido em confrontos com os dois agentes que estavam no local – acicatou ainda mais os protestos. E a PJ acusa o agente de ter feito um auto de notícia do trágico acidente não coincidente com as declarações que lhes prestou – em causa está a existência ou não de uma faca na mão de Odair Moniz quando este foi morto.

Então, a PSP fez queixa à ministra da Administração Interna, além de ter lavrado o seu protesto numa reunião que decorreu na sede do Sistema de segurança Interna (SSI). Na ocasião, o representante da PSP disse que a violação do segredo de Justiça – insinuando que partiu da PJ – «era incendiária e que punha em causa a segurança de todos os elementos que tinha no terreno».

Mas a situação agora está a atingir outras proporções. «É uma declaração de guerra aberta, acho estranho é não haver nenhuma reação da Justiça, está a violar-se o segredo de Justiça, está a fazer-se um julgamento na praça pública, não há qualquer respeito pela presunção de inocência, está-se a mandar barbaridades cá para fora e ninguém diz nada», atira outro oficial da PSP.

Segundo apurou o Nascer do SOL junto de fontes de Belém, o Presidente da República deverá aproveitar o encontro do voto de boas festas que as forças de segurança lhe irão desejar para questionar as lideranças das duas forças sobre esta ‘guerra’.

 


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