Urgente 18:30 O primeiro iPhone dobrável da Apple pode chegar com um preço premium 18:10 Lamine Yamal coloca a glória da Liga dos Campeões à frente das ambições do Ballon d'Or 17:45 Visto unificado de turismo do Golfo deve simplificar viagens entre seis países 17:30 Sistemas educacionais asiáticos dominam rankings globais do PISA 2025 17:10 Queixa ética da FIFA mira Gianni Infantino por vínculos com Donald Trump 16:47 Lavrov afirma que influência dos EUA está diminuindo à medida que poder global se torna mais multipolar 16:33 Exportações de produtos aeroespaciais dos EUA para Marrocos superam US$ 1 bilhão nos primeiros sete meses de 2026 16:16 Setor de platina da África do Sul enfrenta nova crise com 1.114 empregos em risco 16:00 OpenAI e Nvidia alimentam debate sobre a chegada da AGI 15:51 China-Reino Unido: Xi Jinping quer priorizar interesses comuns com o novo primeiro-ministro britânico 15:43 ONU alerta sobre crise humanitária iminente em Gaza com a chegada do inverno 15:21 Marrocos avança na integração do HIMARS em sua força de artilharia modernizada 15:15 Fumaça tóxica de incêndios florestais ligada a 100.000 mortes adicionais a cada ano, alerta ONU 15:05 Simone Inzaghi é o treinador de futebol mais bem pago do mundo 14:55 Guerra na Ucrânia: Trump e Putin retomam contato após missão americana em Moscou 14:47 Rei Charles diz que Harry e Meghan não têm deveres reais oficiais na Grã-Bretanha 14:32 Marrocos ocupa a 70ª posição global em qualidade de vida 14:14 A demanda global de petróleo pode cair em 1,5 milhão de barris por dia em 2026 14:09 Quênia: burundeses querem voltar apesar da anistia anunciada por Nairóbi 14:05 Abdellatif Jouahri está entre os 25 melhores governadores de bancos centrais do mundo 13:50 Google lança atualização de emergência para Chrome após descoberta de vulnerabilidade zero-day explorada 13:30 Salinidade do Mar de Azov atinge níveis históricos com a diminuição das águas doces 13:18 Nominados ao Ballon d'Or 2026 serão anunciados enquanto estrelas do futebol aguardam a lista 13:10 Estudo alerta que pressionar repetidamente chatbots de IA pode aumentar a desinformação 12:47 Escola de Negócios de Rabat entra no top 10 global no ranking do Financial Times 12:29 Bombardier destaca sua contribuição para a economia dos EUA após aviso de Trump 12:12 A China permanece como o maior parceiro comercial da Rússia pelo 16º ano consecutivo 11:47 Goldman Sachs aumenta previsões de preços do petróleo à medida que riscos de transporte no Oriente Médio persistem 11:30 Vitória da AfD levanta questões sobre alianças políticas da Europa e política em relação à Ucrânia 11:19 Google altera seu motor de busca na Europa para evitar sanções da UE 11:11 Milhares protestam contra a AfD em Berlim após vitória eleitoral 10:56 eBay retira kits de determinação de sexo oferecidos na Índia e abre uma investigação interna 10:56 Yves Brunier, criador e intérprete de Casimir, faleceu aos 85 anos 10:55 Gianni Infantino sob pressão após denúncia sobre suas relações com Donald Trump 10:55 Huawei enfrenta um grande processo nos Estados Unidos sobre suas atividades no Irã 10:47 Casa Branca celebra Marco Rubio com meme do Dia do Trabalho inspirado no Bob Esponja 10:30 Governo holandês afirma que não pode bloquear remessas de armas para Israel em navios com bandeira holandesa 10:15 Argentina intensifica disputa com a Grã-Bretanha sobre as Malvinas em relação à exploração de petróleo 10:00 Uma vitória democrata poderia remodelar a abordagem do Congresso dos EUA em relação à Rússia? 09:43 Tráfego marítimo no Estreito de Ormuz cai para sete embarcações em meio a tensões crescentes 09:22 UE alerta sobre ameaça emergente de extremismo online entre jovens 09:09 Jaguar Land Rover vai cortar 4.000 empregos em meio a pressões do mercado global 08:45 Peru registra queda de 5,5% nas chegadas de turistas estrangeiros no segundo trimestre de 2026 08:27 Chefe de direitos da ONU alerta que IA avançada pode ameaçar o futuro da humanidade 08:10 Marrocos fortalece seu papel na segurança nuclear e na capacitação africana 07:47 Crise de Ceuta começa a afetar reservas de turismo espanhol para Marrocos 07:32 WhatsApp desenvolve recurso de chamadas para convidados sem conta 07:15 Espanha pede cautela sobre o suposto papel do Marrocos na crise migratória de Ceuta

Estrasburgo. A outra capital do projeto europeu

Quarta-feira 05 Junho 2024 - 10:30
Estrasburgo. A outra capital do projeto europeu

Por que têm os eurodeputados de mudar-se de armas e bagagens para Estrasburgo uma vez por mês? Mário Soares apontava o dedo a este desperdício de meios e de tempo. Mas a exigência partiu do seu amigo Mitterrand

O próprio nome assim o indica: Estrasburgo é uma cidade de estradas ou, mais especificamente, uma cidade que cresceu numa encruzilhada de caminhos.

Encostada à fronteira francesa com a Alemanha, a sua situação geográfica, natureza e simbolismo fazem dela uma das capitais do projeto europeu. De facto, é aí que se encontra a sede do Parlamento Europeu – uma das raras excepções à concentração das instituições em Bruxelas.

E é por isso que, uma vez por mês, os eurodeputados – e respetivos séquitos – abandonam a capital belga e se mudam de armas e bagagens para a velha cidade alsaciana.

A gigantesca operação logística – Bruxelas e Estrasburgo distam mais de 400 km – terá um custo anual estimado em mais de 100 milhões de euros. No tempo dos documentos em papel, cada eurodeputado tinha direito a levar caixotes e caixotes que muitas vezes regressavam à Bélgica intocados. Hoje, na era digital, continua a ser assim: enormes camiões transportam para cá e para lá toneladas de arquivos que muitas vezes não chegam a ser consultados.

Para quê todo o esforço? Porquê este desperdício?

“Os caixotes são carregados nos camiões e levados de Bruxelas para Estrasburgo. Isso são factos”, confirmou recentemente em entrevista ao Nascer do SOL o antigo eurodeputado irlandês Pat Cox, presidente do Parlamento Europeu entre 2002 e 2004. “No exterior de cada gabinete é colocado um caixote onde cada um põe os documentos que quer levar”. Se há caixotes que não são abertos, é porque os eurodeputados escolheram levar papéis de que não precisavam.

“Quando eu era eurodeputado, sentava-me com as pessoas que trabalhavam comigo e víamos do que é que íamos precisar”, continua Cox. “Depois disso não tínhamos de nos preocupar mais porque era tudo reunido e entregue à porta do gabinete em Estrasburgo. Assim que chegávamos a Estrasburgo – com todas as ineficiências e perdas de tempo provocadas pela mudança de um sítio para o outro – esvaziávamos a caixa e tínhamos tudo o que precisávamos para trabalhar”.

90% descontentes 

Dotado de um agudo sentido prático, o antigo Presidente português Mário Soares era um dos críticos deste sistema bipartido do Parlamento Europeu.

Mas não era o único, longe disso: segundo alguns inquéritos, cerca de 90% dos eurodeputados gostariam de concentrar o Parlamento numa só localização, para evitarem as deslocações e a perda de tempo e de recursos. Mas essa alteração teria de ser aprovada por unanimidade – e os franceses não parecem dispostos a abdicar da sede do Parlamento Europeu em solo gaulês. Esta ‘intransigência’ resulta, em grande parte, da própria história atribulada da cidade de Estrasburgo, que ao longo dos séculos tem mudado várias vezes de mãos.

Sucessivas mudanças de mãos

 Fundada há mais de dois milénios pelos romanos, que lhe deram o nome de Argentorati, do século IV da nossa era em diante a cidade foi governada pelo bispo de Estrasburgo. Uma violenta rebelião em 1262, quando estava em curso a reconstrução da famosa catedral, derrubou o poder episcopal e Estrasburgo tornou-se uma cidade imperial livre, ou seja, com governo próprio mas ainda assim fazendo parte do Sacro Império Romano-Germânico.

Com uma localização privilegiada à beira do Reno e na encruzilhada das rotas comerciais, assumiu uma enorme importância durante a Idade Média, importância essa atestada pela dimensão da catedral nunca terminada. Durante o Renascimento, terá sido em Estrasburgo que Johannes Gutenberg aperfeiçoou a sua prensa de caracteres móveis, com as consequências bem conhecidas de todos.

Em 1681 a cidade foi tomada pelas tropas de Luís XIV, tornando-se território francês, um estado de coisas que se manteve durante 90 anos, até à Guerra Franco-prussiana de 1870-1871. Com a vitória, a Prússia de Bismark anexou a Alsácia-Lorena, e Estrasburgo passou a ser germânica.

Novo volte-face em 1914-18: a derrota da Alemanha na Grande Guerra ditou que a Alsácia-Lorena fosse devolvida aos franceses. A região acabaria porém por voltar a ser ocupada pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial e anexada ao Reich. É o que dá estar tão perto da fronteira com uma potência militar… Com a libertação em 1944, Estrasburgo voltou definitivamente a fazer parte da França.

“Estrasburgo era a primeira cidade francesa do lado de lá do Reno e adquiriu um enorme simbolismo. Devido a esse simbolismo, foi escolhida no pós-guerra como sede do Conselho da Europa e do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. E sempre que a assembleia da Comunidade do Carvão e do Aço se reunia, fazia-o em Estrasburgo, no edifício do Conselho da Europa”, recordou Pat Cox. “Mas à medida que a União cresceu em dimensão e escala ao longo dos anos, a atividade foi-se concentrando em Bruxelas. Esta questão já foi a votos e o mais provável é que a maioria dos deputados preferisse trabalhar num único local”.

O veto de Mitterrand 

Porque é que a vontade da maioria não se materializa? Aqui entra em cena, curiosamente, um amigo de Mário Soares – o antigo Presidente francês François Mitterrand.

“Quando o tratado de Maastricht foi negociado, uma das questões em cima da mesa era em que estados ficariam as sedes das instituições europeias. Por exemplo, o Banco Central Europeu foi para Frankfurt, a Agência Veterinária foi para a Irlanda e a Agência do Ambiente para a Dinamarca”, continua o antigo presidente do Parlamento Europeu. “Quando houve uma reunião em Edimburgo, durante a presidência britânica, para acertar os pormenores do Tratado de Maastricht, o Presidente Mitterrand disse que vetaria qualquer acordo a menos que o Parlamento Europeu ficasse em Estrasburgo. Isso ficou no documento e por isso hoje tem força de lei. Podemos ter um Parlamento que ignora a lei ao mesmo tempo que funciona como legislador? A resposta é não. E por isso chegámos a este beco sem saída, a este dilema”.

Um dilema que coloca dificuldades evidentes. “Quando eu era eurodeputado vivia na periferia e ir para Estrasburgo não era a coisa mais simples, até porque a cidade não tinha as infraestruturas de uma capital – hoje é mais fácil porque tem o TGV. Tal como acontece com outras coisas da Europa do pós-guerra, algumas destas cedências dizem-nos mais sobre o respeito mútuo que existe entre os estados do que sobre eficiência. Mas, no fim de contas, o respeito mútuo é parte do cimento que mantém o projeto europeu de pé. Por isso sou menos crítico do que outros em relação a estas ineficiências. Admito que a questão não está bem resolvida, mas não tem grande importância. Foi uma exigência de Mitterrand e só demonstra o respeito que temos pelo que a França deseja”, conclui. A falha está à vista e parece não ter solução. É um sinal de que o projeto europeu também se construiu em cima de tensões e conflitos. Que podem ser superados, mas nunca apagados completamente.


  • Fajr
  • Amanhecer
  • Dhuhr
  • Asr
  • Maghrib
  • Isha

Leia mais

Este site, walaw.press, utiliza cookies para lhe proporcionar uma boa experiência de navegação e melhorar continuamente os nossos serviços. Ao continuar a navegar neste site, você concorda com o uso desses cookies.