Crise na Fifa: UEFA, AFC e Concacaf consideram ofensiva contra Gianni Infantino
A contestação contra Gianni Infantino ganha uma nova dimensão. A UEFA, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf estariam discutindo a possibilidade de organizar um voto de desconfiança para fragilizar, ou até provocar a saída do presidente da Fifa. Uma iniciativa que surge após o abandono de seu projeto controverso de abertura de capital de uma futura estrutura comercial ligada aos direitos da Copa do Mundo.
A crise que abala a Fifa pode agora se transformar em uma batalha institucional. Segundo fontes citadas pela Reuters, várias das principais confederações regionais estão considerando coordenar seus esforços para contestar a autoridade de Gianni Infantino.
A UEFA, a AFC e a Concacaf estariam, assim, em discussão sobre uma eventual moção de censura, com o objetivo de reunir apoio suficiente para questionar a presidência atual.
Neste estágio, no entanto, não se trata de um procedimento oficialmente iniciado. A hipótese testemunha, sobretudo, a amplitude da ruptura entre uma parte dos dirigentes do futebol mundial e o presidente da Fifa.
O projeto que desencadeou a revolta
A contestação tem sua origem no projeto batizado de FIFA Forward Enterprise (FFE). Gianni Infantino havia proposto criar uma nova entidade comercial destinada a gerenciar parte das atividades e direitos comerciais da Fifa, com a ideia de abrir até 20% de seu capital a investidores privados.
A operação, que poderia potencialmente render bilhões de dólares, provocou uma forte reação entre várias federações e confederações, especialmente devido à falta de concertação denunciada por seus opositores.
Diante da pressão, o projeto foi finalmente abandonado. A direção da Fifa reconheceu posteriormente erros e reafirmou seu apoio a Infantino durante uma reunião de crise realizada no Marrocos no início de agosto.
Mas a retirada do projeto não foi suficiente para fechar a crise.
Uma coalizão cada vez mais crítica
A UEFA, a AFC e a Concacaf já expressaram publicamente sua desconfiança em relação à governança da Fifa. As três confederações denunciaram, em particular, a falta de transparência e de consulta em torno do projeto abandonado e pediram uma reavaliação do funcionamento da entidade.
Essa contestação também se espalhou para várias federações nacionais.
Nas últimas semanas, vários países retiraram seu apoio à candidatura de Infantino para um novo mandato. A Nova Zelândia anunciou, em particular, que não apoiaria mais sua reeleição, enquanto outras federações europeias tomaram posições semelhantes.
O movimento ganhou ainda mais intensidade com a tomada de distância de responsáveis de alto nível dentro da Fifa.
Apoios que começam a se fissurar
O presidente da Fifa, no entanto, mantém apoios significativos. A Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) continuam a lhe oferecer um apoio considerável.
A situação, portanto, ainda está longe de ser resolvida. Uma moção de censura só poderia avançar se reunir uma maioria suficiente dentro das instâncias competentes da Fifa.
Esse é precisamente o principal obstáculo que os opositores a Infantino enfrentam: conseguir uma coalizão ampla o suficiente para transformar a contestação das confederações em um verdadeiro voto institucional.
A próxima batalha: a eleição de 2027
A crise ocorre enquanto Gianni Infantino pretende buscar um novo mandato à frente da Fifa durante a eleição prevista para março de 2027 no Marrocos.
Sua reeleição, que antes parecia amplamente garantida, agora parece muito menos evidente. Várias federações retiraram seu apoio e as críticas à governança da entidade se multiplicam.
A situação pode, portanto, levar a uma batalha em dois níveis: uma eventual tentativa de contestar a presidência antes do próximo Congresso, e uma confrontação eleitoral se Infantino conseguir manter seu cargo até lá.
Uma crise que ultrapassa o projeto comercial
Com o passar das semanas, as críticas se ampliaram além do projeto de abertura a investidores privados.
A saída do diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, reforçou as tensões. Vários responsáveis afirmaram que esse episódio constituiu um novo sintoma dos problemas de governança atribuídos a Infantino. Sandor Csanyi, vice-presidente da Fifa, declarou publicamente ter perdido a confiança no presidente.
Para os opositores, o verdadeiro desafio agora é o funcionamento da organização: transparência das decisões, consulta às confederações e equilíbrio de poderes.
Uma batalha institucional ainda incerta
A possibilidade de uma moção de censura representa, portanto, um novo passo na crise, mas sua resolução permanece incerta.
Um voto de desconfiança exigiria transformar as declarações de várias confederações e federações em uma coalizão suficientemente sólida para obter uma maioria. No entanto, Infantino ainda conta com apoios significativos em várias regiões do mundo.
O presidente da Fifa continua, por sua vez, candidato à sua própria sucessão. Os próximos meses podem, portanto, ser decisivos para determinar se a contestação atual resulta em uma verdadeira ruptura à frente do futebol mundial ou se se traduzirá, finalmente, em uma confrontação durante a votação de 2027.
Uma coisa agora é certa: após o fracasso do projeto FIFA Forward Enterprise, a questão não é mais apenas a de uma operação comercial abandonada. Agora, ela diz respeito à própria governança da Fifa e à capacidade de Gianni Infantino de manter a confiança de uma parte das potências históricas do futebol mundial.
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