Venezuela: Caracas denuncia "violação flagrante" da Carta dos EUA na ONU
A Venezuela condenou veementemente, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a operação militar levada a cabo pelos Estados Unidos no seu território, que Caracas descreveu como um ataque armado ilegal e uma grave violação do direito internacional. O Representante Permanente da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, acusou Washington de ter conduzido no passado sábado uma ação "desprovida de qualquer fundamento jurídico" contra a República Bolivariana.
No seu discurso perante os membros do Conselho de Segurança, o diplomata venezuelano afirmou que a operação americana constitui uma "violação flagrante da Carta da ONU" e do princípio fundamental da soberania do Estado. Denunciou particularmente a detenção do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher pelas forças norte-americanas, descrevendo o ato como um "rapto" e uma violação direta da sua imunidade diplomática enquanto representantes de um Estado soberano. Samuel Moncada exigiu a libertação imediata de ambos e o respeito pelas garantias diplomáticas e jurídicas que lhes são devidas.
Segundo o embaixador venezuelano, a paz e a segurança internacionais só podem ser asseguradas através da estrita observância do direito internacional, sem duplo critério ou interpretação seletiva. Alertou que os acontecimentos recentes não só ameaçam a soberania da Venezuela, como também minam a credibilidade de todo o sistema jurídico internacional. Apelou à comunidade internacional para que reafirme o princípio da rejeição de qualquer apropriação de território ou recursos pela força, acreditando que este precedente poderá ser aplicado no futuro a qualquer nação que se recuse a submeter-se a pressões externas.
Caracas instou, assim, as Nações Unidas e os seus Estados-membros a obrigarem os Estados Unidos a respeitar a soberania nacional da Venezuela e a pôr fim ao que denomina agressão armada, alertando que a continuação de tais práticas comprometeria qualquer perspetiva de construção de uma ordem mundial baseada na justiça e no Estado de direito.
Diversas delegações manifestaram o seu apoio à posição venezuelana. O representante permanente da Rússia, Vasily Nebenzia, alertou para o risco de regresso a uma era de caos e arbitrariedade, descrevendo a operação dos EUA como uma violação flagrante do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Referiu ainda a morte de dezenas de civis venezuelanos e cubanos durante a intervenção. Por sua vez, o vice-representante da China denunciou as ações dos EUA na América Latina como uma ameaça direta à paz e à segurança internacionais, acusando Washington de dar prioridade à força militar em detrimento da diplomacia e do multilateralismo.
A operação militar norte-americana, iniciada a 3 de janeiro e que levou à detenção do presidente venezuelano e da sua mulher, provocou uma onda de condenação internacional, principalmente da Rússia, da China e de vários países do Sul Global que se opõem a qualquer forma de interferência e hegemonia.
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