Vance apoia Orbán e critica a UE na véspera da crucial eleição na Hungria
O Vice-Presidente JD Vance criticou a União Europeia por alegadamente interferir nas eleições húngaras, ao mesmo tempo que endossou Viktor Orbán como um modelo de liderança para o continente, poucos dias antes de uma votação decisiva.
Numa conversa ao lado do primeiro-ministro húngaro durante a sua visita de dois dias a Budapeste, Vance afirmou que “a quantidade de interferência da burocracia em Bruxelas tem sido verdadeiramente vergonhosa”. Não apresentou provas para as suas alegações.
“Não vou dizer ao povo da Hungria como votar”, disse, numa declaração antes da eleição de domingo. “Encorajaria os burocratas em Bruxelas a fazerem exatamente a mesma coisa.”
Esta foi uma declaração característica do vice-presidente, que na Conferência de Segurança de Munique do ano passado atacou os líderes europeus por regulamentarem a liberdade de expressão online, acusando-os de suprimir as vozes conservadoras e de se afastarem dos “valores fundamentais” do continente.
Mas o tom das suas declarações e da visita realçam o papel desproporcional que a eleição num país de 10 milhões de habitantes desempenha para a Casa Branca do presidente Donald Trump.
O governo norte-americano procura manter Orbán, um aliado ideológico e eterno espinho no flanco da União Europeia, no poder, apesar das sondagens de opinião indicarem que poderá ser deposto ao fim de 16 anos no cargo.
Vance é o segundo alto funcionário norte-americano a visitar a Hungria antes da votação. O secretário de Estado Marco Rubio deslocou-se à capital húngara em Fevereiro para lhe prestar o seu apoio, proclamando que a relação entre os EUA e a Hungria estava a entrar numa “era dourada”.
Orbán ficou atrás do partido da oposição Tisza, do ex-membro do governo Peter Magyar, na maioria das sondagens de opinião independentes durante a recta final de uma eleição renhida.
Há muito que Trump considera Orbán, ícone populista global e aliado mais próximo de Vladimir Putin na UE, um parceiro de confiança, crítico acérrimo das democracias liberais europeias e defensor da sua agenda populista MAGA.
O presidente declarou publicamente o seu apoio ao líder húngaro, considerando-o “um líder verdadeiramente forte e poderoso”, e reiterou o seu apoio numa mensagem vídeo durante o evento da Conferência de Acção Política Conservadora (CPAC) do mês passado, em Budapeste.
“Os burocratas em Bruxelas tentaram destruir a economia da Hungria”, disse Vance na terça-feira. “Tentaram tornar a Hungria menos independente em termos energéticos. Tentaram aumentar os custos para os consumidores húngaros. E fizeram tudo isto porque odeiam este tipo.”
A administração Trump apoiou líderes conservadores de todo o mundo, incluindo a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, nas eleições antecipadas de fevereiro.
No ano passado, o presidente condicionou um pacote de ajuda económica de 20 mil milhões de dólares à Argentina à reeleição do seu aliado, o presidente Javier Milei. Milei obteve uma vitória decisiva.
A votação na Hungria tornou-se o ponto central da disputa entre o populismo liderado por Trump e as forças da ordem liberal simbolizadas por Bruxelas. O governo americano tem criticado frequentemente a União Europeia pelas suas alegadas falhas políticas e culturais. Na mais recente disputa, muitos países europeus recusaram-se a ajudar os EUA na sua guerra contra o Irão, atraindo a ira de Trump.
As palavras amistosas de Vance surgem numa altura em que a relação de Orbán com o Kremlin tem sido alvo de um crescente escrutínio. A Bloomberg noticiou na terça-feira que o primeiro-ministro húngaro disse a Putin, durante um telefonema em outubro, que estava disposto a fazer grandes esforços para ajudar o presidente russo, incluindo para ajudar a resolver a guerra na Ucrânia, acolhendo uma cimeira em Budapeste.
Orbán fez da oposição à ajuda à Ucrânia um pilar fundamental da sua campanha de reeleição. No mês passado, a Hungria vetou um importante auxílio de emergência de 90 mil milhões de euros (104 mil milhões de dólares) da UE para Kiev, no meio de uma crescente disputa sobre o fornecimento de petróleo, na qual Budapeste apreendeu um carregamento de dinheiro que seguia para a Ucrânia.
Com a votação de 12 de abril a aproximar-se rapidamente, a campanha tornou-se ainda mais renhida. A oposição alega que foram mobilizados agentes dos serviços de informação do Governo contra eles, enquanto Orbán acusa Tisza de querer convencer a Hungria a enviar soldados para ajudar a Ucrânia e de querer cortar o fornecimento de energia ao país.
Antigo membro da elite governante, Magyar capitalizou a raiva face à estagnação económica e ao nepotismo que passaram a caracterizar a auto-intitulada “democracia iliberal” do líder húngaro, argumentando que as ambições de Orbán como influenciador político global têm sido prejudiciais para o bem-estar dos húngaros comuns.
O Fidesz investiu recursos no cultivo da ala de Vance do movimento MAGA desde muito antes do regresso de Trump ao poder, em janeiro passado. Intelectuais de direita, como o antigo professor de Ciência Política do Texas, Gladden Pappin, tornaram-se chefes do instituto de investigação de política externa alinhado com o governo em Budapeste. O jornalista conservador e amigo de Vance, Rod Dreher, vive na Hungria.
-
17:17
-
16:26
-
15:42
-
14:58
-
14:14
-
12:15
-
11:30
-
10:45
-
10:00
-
09:15
-
08:30