Trump adverte Maduro para “não se fazer de durão”; líder venezuelano responde
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na segunda-feira que seria “inteligente” para o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, demitir-se, enquanto as forças navais norte-americanas intensificavam o bloqueio à riqueza petrolífera do país sul-americano.
Moscovo, o principal aliado da Venezuela, manifestou o seu “total apoio” ao governo de Maduro, enquanto Washington intensificava as operações militares e as ameaças contra Caracas.
Questionado pelos jornalistas na sua casa na Florida se as ameaças de Washington visavam forçar Maduro a abandonar o cargo ao fim de 12 anos, Trump disse: “Isso depende dele, do que quer fazer. Acho que seria inteligente da parte dele fazer isso”.
Mas acrescentou: “Se ele quiser fazer alguma coisa – se fizer de durão, será a última vez que poderá fazer de durão”.
Em resposta, poucas horas depois, Maduro disse que Trump estaria “em melhor situação” se se concentrasse nos problemas internos em vez de ameaçar Caracas.
"Estaria melhor no seu próprio país em questões económicas e sociais, e estaria melhor no mundo se tratasse dos assuntos do seu país", disse Maduro num discurso transmitido pela televisão pública.
A promessa de Moscovo, que está envolvida na guerra na Ucrânia, surgiu na véspera de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, na terça-feira, para discutir a crescente crise.
Num telefonema, os ministros dos Negócios Estrangeiros das nações aliadas criticaram duramente as ações dos EUA, que incluíram ataques a alegados barcos de tráfico de droga e a apreensão de dois petroleiros.
Um terceiro navio estava a ser perseguido, disse um responsável norte-americano à AFP no domingo.
"Os ministros manifestaram a sua profunda preocupação com a escalada das ações de Washington no Mar das Caraíbas, que podem ter consequências graves para a região e ameaçar a navegação internacional", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo sobre a ligação entre Sergei Lavrov e o seu homólogo venezuelano, Yvan Gil.
"O lado russo reafirmou o seu total apoio e solidariedade à liderança e ao povo venezuelano no contexto atual", acrescentou em comunicado. Desde Setembro que as forças norte-americanas lançaram ataques contra embarcações que Washington alega, sem apresentar provas, estarem a traficar droga nas Caraíbas e no leste do Oceano Pacífico.
Mais de 100 pessoas foram mortas – algumas delas pescadores, segundo familiares e governos.
O mais recente ataque atingiu uma embarcação discreta no leste do Oceano Pacífico, matando um ocupante, informou o Exército norte-americano na segunda-feira.
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