Transformações Globais Colocam à Prova o Direito Internacional dos Direitos Humanos
Perante convulsões geopolíticas e crises multidimensionais em todo o mundo, o direito internacional dos direitos humanos enfrenta desafios sem precedentes. Este foi o alerta emitido em Genebra por Amina Bouayach, Presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos e da Aliança Global das Instituições Nacionais de Direitos Humanos.
No seu discurso na primeira assembleia geral que preside à frente desta aliança internacional, Bouayach enfatizou que o mundo atravessa um período de profunda transformação, marcado pela proliferação de crises e por questões cada vez mais complexas relacionadas com a proteção dos direitos e liberdades fundamentais. Neste contexto, os próprios fundamentos do sistema multilateral, baseados sobretudo nas Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, estão sob crescente pressão.
Esta alertou para os efeitos do actual clima geopolítico, caracterizado por uma polarização crescente que mina a cooperação internacional. Esta dinâmica contribui também para a redução do espaço cívico, o aumento dos ataques à independência das instituições e o crescente obstáculo ao acesso aos mecanismos da ONU.
A escalada das crises em África, no Médio Oriente, na Europa e noutros países está a agravar as violações dos direitos humanos, num contexto em que os mecanismos internacionais de protecção parecem estar a perder eficácia. Apesar disso, as instituições nacionais de direitos humanos continuam os seus esforços, principalmente documentando violações e defendendo populações vulneráveis, incluindo em zonas de conflito.
Bouayach enfatizou ainda a necessidade de reforçar a sustentabilidade financeira destas instituições, mesmo com a diversificação das suas missões e o crescente reconhecimento global do seu papel. Esta fez um apelo à mobilização colectiva para que possam cumprir plenamente os seus mandatos.
A reunião de Genebra, que reúne mais de 250 representantes de instituições nacionais, organizações internacionais e sociedade civil, demonstra um renovado empenho na promoção e proteção dos direitos humanos. As discussões centram-se, em particular, nos desafios relacionados com a transformação digital, incluindo questões de vigilância, tomada de decisão automatizada e inteligência artificial.
Espera-se que o trabalho culmine na adopção de uma declaração final definindo as prioridades futuras, num mundo onde as mudanças tecnológicas e geopolíticas estão a redefinir profundamente os marcos para a protecção dos direitos fundamentais.
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