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Refugiados congoleses relatam mortes e crianças perdidas com o retomar da guerra
Refugiados congoleses que fugiram para o Ruanda descreveram vizinhos a serem massacrados e crianças desaparecidas no meio do caos, com o retomar dos combates apesar do acordo de paz intermediado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
“Tenho 10 filhos, mas só estou aqui com três”, disse Akilimali Mirindi, de 40 anos, à agência France-Presse (AFP) no campo de refugiados de Nyarushishi, no distrito de Rusizi, no Ruanda. “Não sei o que aconteceu aos outros sete, nem ao pai deles.”
Cerca de mil congoleses procuraram refúgio no campo após novos confrontos no leste da República Democrática do Congo.
O grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, que tomou grandes áreas do leste do Congo no último ano, intensificou o seu avanço, capturando outra cidade importante, Uvira.
Milhares fugiram, pois os civis estão novamente apanhados no fogo cruzado entre o M23, as forças congolesas e os seus aliados.
Mirindi vivia em Kamanyola, perto da fronteira com o Ruanda, quando as bombas começaram a cair, destruindo a sua casa.
“Muitas pessoas morreram, jovens e idosos. Vi cadáveres enquanto fugíamos, saltando sobre alguns deles. Decidi atravessar para o Ruanda com os outros”, disse ela.
Trump recebeu os presidentes do Ruanda e do Congo, Paul Kagame e Félix Tshisekedi, a 4 de dezembro para negociações com o objetivo de pôr fim ao conflito, mas a nova ofensiva já estava em curso quando se encontraram.
“É evidente que não há entendimento entre Kagame e Tshisekedi. Se não chegarem a acordo, a guerra vai continuar”, disse Thomas Mutabazi, de 67 anos, no campo de refugiados.
“As bombas choviam sobre nós de diferentes direções – algumas do exército congolês e de soldados burundianos, outras do M23, que revidava o fogo”, disse.
“Tivemos de deixar as nossas famílias e as nossas culturas. Não sabemos nada de política, mas nós e as nossas famílias sofremos as consequências da guerra”.
O acampamento fica numa colina rodeada de plantações de chá e recebe ajuda das Nações Unidas, do Programa Alimentar Mundial e de outras organizações.
Tem dormitórios e um campo de futebol para crianças, mas os residentes – na sua maioria mulheres e crianças – disseram que as suas casas e terras agrícolas foram saqueadas ou destruídas pelos soldados.
Jeanette Bendereza, de 37 anos, já tinha fugido de Kamanyola uma vez este ano, durante uma ofensiva anterior do M23, escapando para o Burundi em Fevereiro com os seus quatro filhos.
“Voltámos quando nos disseram que a paz tinha regressado. Encontrámos o M23 no comando”, disse ela.
Depois a violência recomeçou.
“Estávamos habituados a levar alguns tiros, mas em pouco tempo as bombas começaram a cair, disparadas por combatentes burundenses. Foi aí que começámos a correr.”
O Burundi enviou tropas para apoiar o exército do Congo e está cada vez mais alarmado com a captura de cidades e aldeias pelo M23 ao longo da sua fronteira.
“Corri com vizinhos para Kamanyola. Podíamos ouvir as bombas a seguir-nos. Não sei onde está o meu marido agora”, disse Bendereza, acrescentando que perdeu o telemóvel no caos.
Olinabangi Kayibanda, de 56 anos, disse que tentou permanecer em Kamanyola quando os combates começaram.
“Mas quando começámos a ver pessoas a morrer e outras a perder membros por causa das bombas – até crianças estavam a morrer – decidimos fugir”, disse.
“Vi uma vizinha ser morta quando a sua casa foi bombardeada. Morreu com os dois filhos lá dentro. Também estava grávida.”