Presidente da Bulgária demite-se, alimentando especulações sobre novo partido
O presidente da Bulgária, Rumen Radev, anunciou na segunda-feira que vai renunciar ao cargo. Ao classificar o sistema político atual como "um modelo perverso de governar", Radev não chegou a afirmar se iria formar um novo partido.
"A batalha pelo futuro da pátria está à nossa frente e acredito que a vamos travar juntos com todos vós... Estamos prontos. Podemos e vamos vencer!", declarou.
Dado o historial de Radev como crítico das sanções contra a Rússia, da ajuda à Ucrânia e do seu tom cada vez mais nacionalista, é provável que o seu novo partido tenha uma agenda populista e céptica em relação à União Europeia.
As eleições antecipadas, previstas para a primavera, ainda não foram agendadas. Não é claro se Radev as utilizará para lançar o seu suposto novo partido.
Também não se sabe se tal projecto procurará a colaboração de outras facções pró-Kremlin na Bulgária, como o Partido Socialista Búlgaro – que apoiou Radev por duas vezes durante as suas campanhas presidenciais, mas depois se demarcou – ou os extremistas de direita do Revival, ou se tentará conquistar os seus eleitorados.
As próximas eleições seguem-se à maior onda de protestos da história recente da Bulgária, que em Dezembro derrubou inesperadamente o governo de coligação formado pelos populistas de centro-direita do GERB, o nacionalista Existe Tal Povo e o Partido Socialista Búlgaro, apoiado pelo Novo Começo, partido do oligarca Delyan Peevski, alvo de sanções internacionais.
No seu discurso, Radev manifestou apoio aos protestos, embora o movimento nunca o tenha mencionado como uma alternativa política e tenha criticado as suas tendências pró-Rússia.
Radev – que se tornou presidente em 2016 e foi reeleito em 2021 – acrescentou que a sua vice-presidente, Iliyana Yotova, continuará o resto do seu mandato. Isto faz de Radev o primeiro na história da Bulgária a renunciar ao cargo e de Yotova a primeira mulher a ocupá-lo.
As eleições presidenciais estão previstas para o final de 2026.
As especulações sobre as perspetivas de Radev rodeiam-no há mais de um ano. Os rumores aumentaram em 2025, quando Radev se opôs veementemente à adesão da Bulgária à zona euro e adoptou uma retórica cada vez mais nacionalista.
Em 2022, a BIRN analisou a forma como o presidente expandiu o seu poder através de uma série de gabinetes interinos nomeados no meio da espiral eleitoral da Bulgária. Os sete gabinetes interinos nomeados desde 2021 serviram cada vez mais como instrumento para confrontar o parlamento. Isto levou a resultados mistos e contrasta com a visão da Constituição de um papel amplamente simbólico na política interna.
Um novo gabinete interino, escolhido por Radev ou Yotova, vai governar até às eleições da primavera, que ainda não foram anunciadas.
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