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Preparar o Ramadão em Marrocos: Um mês de devoção e solidariedade
O mês sagrado do Ramadão aproxima-se rapidamente e, em Marrocos, como em muitos países muçulmanos, é um momento aguardado com fervor e respeito. Se o período é de jejum e oração, é também marcado por uma preparação meticulosa em todos os aspetos da vida diária, especialmente nas mesquitas, os verdadeiros epicentros da vida religiosa.
Um mês de devoção
O Ramadão, o mês de jejum, é um período de purificação espiritual e física. Os marroquinos, fiéis à sua fé, preparam-se para receber este mês sagrado com práticas religiosas específicas, mas também cuidando da sua comunidade. O mês de jejum, que dura cerca de 29 ou 30 dias, consiste em abster-se de comer, beber, fumar e de qualquer ato que possa alterar a pureza durante o dia. Quebrar o jejum, no momento do chamamento para a oração do Magrebe, é um momento sagrado e coletivo.
Mesquitas: Centros de espiritualidade e solidariedade
As mesquitas desempenham um papel central durante o Ramadão. Estes não são apenas lugares de oração, mas também espaços de encontro, de troca e de solidariedade. As mesquitas marroquinas estão a preparar-se cuidadosamente para receber centenas de fiéis que virão participar nas orações diárias, mas também nas orações específicas do Ramadão, como o Taraweeh.
Na maioria das grandes cidades, como Casablanca, Marraquexe, Fez e Rabat, as mesquitas são frequentemente decoradas de forma especial para este mês abençoado. Lanternas tradicionais chamadas "fanoos" iluminam as entradas e o ambiente festivo invade os pátios interiores. Os fiéis vêm não só para rezar, mas também para fortalecer a sua fé através de leituras do Alcorão, sermões e momentos de meditação coletiva.
A solidariedade, um pilar do Ramadão
Além das orações, o Ramadão é também um momento de solidariedade. Em muitas mesquitas, são organizadas distribuições de refeições aos mais carenciados. Os voluntários estão a mobilizar-se para preparar sopas, tâmaras, leite e pão para permitir que todos possam quebrar o jejum com dignidade. Estas ações são possíveis através de donativos privados e iniciativas comunitárias.
As mesquitas marroquinas têm como objetivo servir a comunidade como um todo. Além das orações, são locais de encontro e de apoio social. Durante o Ramadão, estas ações de caridade assumem uma dimensão particular. Os donativos de alimentos são essenciais, assim como as esmolas chamadas "zakat", que ajudam os mais vulneráveis.
Preparação logística: Manutenção e layout
Receber milhares de fiéis exige também uma organização cuidada. As autoridades locais e os líderes religiosos estão a fazer tudo o que podem para garantir que o mês corra bem. As mesquitas são geralmente renovadas, ou pelo menos completamente limpas, antes do Ramadão. Estão a ser implementados meios logísticos para gerir o fluxo de visitantes, desde a criação de parques de estacionamento para facilitar o acesso até ao desenvolvimento de espaços de oração.
Em Casablanca, por exemplo, várias mesquitas históricas, como a Mesquita Hassan II, estão a ver a sua capacidade alargada para acolher as multidões que se reúnem todas as noites. Os horários de oração são ajustados e são feitos anúncios para informar os fiéis sobre as diversas atividades programadas.
Um período de reflexão e partilha
O Ramadão não é apenas uma preparação física, mas também mental e espiritual. Os marroquinos estão a dedicar tempo para se voltarem a concentrar na sua fé, refletir sobre o seu lugar na sociedade e melhorar as suas relações com os outros. Longe de se limitar à oração, é também um mês de partilha e de compromisso coletivo, onde trabalhamos pela paz e pela reconciliação.
Assim, para além das tarefas logísticas e dos preparativos visíveis nas mesquitas, o Ramadão em Marrocos continua a ser um período de profundas transformações, marcado por um apelo à solidariedade, à caridade e à espiritualidade, valores que permeiam todo o país e unem a comunidade muçulmana na sua busca de piedade e proximidade.
O Ramadão em Marrocos é, por isso, muito mais do que um simples período de jejum. É um momento em que a comunidade se reúne em torno de valores profundos, em que as mesquitas se tornam centros de luz e de boa vontade, e em que cada gesto, seja religioso ou de solidariedade, ajuda a fortalecer os laços entre os indivíduos e a nutrir a alma colectiva do país.
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