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Papa Leão XIV visita Mesquita Azul de Istambul e sublinha respeito inter-religioso

Sábado 29 Novembro 2025 - 15:30
Papa Leão XIV visita Mesquita Azul de Istambul e sublinha respeito inter-religioso

O Papa Leão XIV visitou no sábado a Mesquita Azul de Istambul, mas não parou para rezar, dando início a um intenso dia de encontros e liturgias com líderes religiosos da Turquia e uma missa para a pequena comunidade católica do país.

O chefe da Direcção dos Assuntos Religiosos da Turquia (Diyanet) mostrou a Leão as imponentes cúpulas de azulejos da mesquita do século XVII e as inscrições em árabe nas suas colunas, enquanto o Papa assentia em sinal de compreensão.

O Vaticano tinha dito que Leão iria observar um “breve minuto de oração silenciosa” no local, mas aparentemente não o fez. O imã da mesquita, Asgin Tunca, disse que convidou Leão para rezar, uma vez que a mesquita é “a casa de Alá”, mas o Papa recusou.

Em declarações à imprensa após a visita, Tunca disse ter dito ao Papa: “Não é a minha casa, não é a tua casa, (é a) casa de Alá”. Disse que falou para o Leo: “'Se quiseres, podes rezar aqui', disse eu. Mas ele respondeu: 'Está bem'”.

“Acho que ele queria ver a mesquita, queria sentir o ambiente da mesquita. E ficou muito satisfeito”, disse.

Mais tarde, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, afirmou: “O papa viveu a sua visita à mesquita em silêncio, num espírito de contemplação e de escuta, com profundo respeito pelo lugar e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração”.

Leão, o primeiro papa americano da história, seguia os passos dos seus recentes antecessores, que fizeram visitas de grande impacto à Mesquita do Sultão Ahmed, como é oficialmente conhecida, num gesto de respeito pela maioria muçulmana da Turquia. Leo descalçou-se e caminhou pelo tapete da mesquita usando apenas meias brancas.

Não restaram dúvidas em 2014, quando o Papa Francisco visitou a mesquita: permaneceu em silêncio durante dois minutos, virado para Este, com a cabeça baixa, os olhos fechados e as mãos unidas à frente do corpo. O Grão-Mufti de Istambul, Rahmi Yaran, disse depois ao Papa: "Que Deus aceite".

Quando o Papa Bento XVI visitou a Turquia em 2006, as tensões eram elevadas porque Bento tinha ofendido muitos no mundo muçulmano alguns meses antes com um discurso em Regensburg, na Alemanha, que foi amplamente interpretado como uma associação entre o Islão e a violência.

O Vaticano acrescentou uma visita à Mesquita Azul de última hora, numa tentativa de aproximação aos muçulmanos, e Bento foi calorosamente recebido. Observou um momento de oração silenciosa, com a cabeça inclinada, enquanto o imã orava ao seu lado, virado para Este.

Mais tarde, Bento agradeceu-lhe "por este momento de oração", sendo esta apenas a segunda vez que um Papa visitava uma mesquita, depois de São João Paulo II ter visitado brevemente uma na Síria em 2001.

Os papas anteriores também visitaram a vizinha Hagia Sophia, outrora uma das mais importantes catedrais históricas do Cristianismo e Património Mundial da UNESCO.

Mas Leão XIII deixou esta visita de fora do seu itinerário na sua primeira viagem como papa. Em julho de 2020, a Turquia converteu a Hagia Sophia de museu de volta em mesquita, uma decisão que gerou ampla crítica internacional, incluindo do Vaticano.

Após a visita à mesquita, Leão XIII teve um encontro privado com líderes cristãos turcos na Igreja Ortodoxa Siríaca de Mor Ephrem. À tarde, deveria rezar com o líder espiritual dos cristãos ortodoxos do mundo, o Patriarca Bartolomeu, na igreja patriarcal de São Jorge.

Encerrará o dia com uma missa católica na Volkswagen Arena, em Istambul, para a comunidade católica do país, que soma 33 mil pessoas num país com mais de 85 milhões de habitantes, a maioria muçulmanos sunitas.

Leão XIII já tinha rezado com estes líderes cristãos na sexta-feira em Iznik, no local do Concílio de Niceia de 325 d.C., o ponto alto da sua viagem. A ocasião era para celebrar o 1700º aniversário do Concílio de Niceia, o encontro sem precedentes de bispos que produziu o Credo, ou declaração de fé, ainda hoje recitado por milhões de cristãos.

De pé, sobre as ruínas do local, os homens recitaram o Credo. Leão XIII exortou-os a “superar o escândalo das divisões que infelizmente ainda existem e a cultivar o desejo de unidade”.

Tal unidade, disse, era de particular importância num momento “marcado por muitos sinais trágicos, em que as pessoas são sujeitas a inúmeras ameaças à sua própria dignidade”.

O encontro de Niceia ocorreu numa época em que as Igrejas do Oriente e do Ocidente ainda estavam unidas. Separaram-se no Grande Cisma de 1054, uma cisão precipitada em grande parte por divergências sobre a primazia do papa, e depois noutras divisões subsequentes. Mas ainda hoje, os católicos, os ortodoxos e a maioria dos grupos protestantes históricos aceitam o Credo de Niceia, tornando-o um ponto de concordância e o credo mais amplamente aceite na cristandade.

Como resultado, a celebração das suas origens no local da sua criação, com os líderes espirituais das igrejas Católica e Ortodoxa e outros representantes cristãos, marcou um momento histórico na busca secular pela reunificação de todos os cristãos.


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