Novas alegações de abusos surgem após detenções da flotilha de Gaza
Ativistas libertados após terem sido detidos pelas forças israelitas durante uma missão de ajuda humanitária em direção a Gaza acusaram os soldados de maus-tratos graves, incluindo violência física e abusos sexuais, intensificando o escrutínio internacional sobre a forma como Israel lida com os detidos intercetados no mar.
Os organizadores da Flotilha Global Sumud afirmaram que vários ex-detidos necessitaram de tratamento hospitalar após a libertação, enquanto pelo menos 15 participantes relataram casos de agressão sexual. Segundo o grupo, alguns ativistas descreveram revistas íntimas degradantes, espancamentos e abusos violentos a bordo de embarcações de detenção improvisadas utilizadas depois de as forças israelitas terem intercetado a flotilha em águas internacionais no início desta semana.
As autoridades israelitas rejeitaram veementemente as acusações. Em comunicado, o serviço penitenciário de Israel insistiu que todos os detidos foram tratados de acordo com as normas legais e sob supervisão profissional, classificando as alegações como totalmente infundadas. Os militares israelitas encaminharam as perguntas para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que, por sua vez, direcionou as questões de volta para os funcionários do sistema prisional.
A flotilha, composta por 50 embarcações que transportavam ajuda humanitária e centenas de voluntários, tentou desafiar o bloqueio israelita à Faixa de Gaza antes de as forças navais deterem aproximadamente 430 pessoas na terça-feira.
As últimas alegações aumentaram a crescente pressão diplomática sobre Israel, especialmente após a circulação online de um vídeo que mostra o Ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, a troçar dos activistas detidos dentro de uma prisão. O vídeo provocou críticas de vários governos e organizações de direitos humanos.
O porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou que os relatos são profundamente preocupantes e chamou a atenção para a gravidade das alegações.
Os organizadores da flotilha alegaram que os abusos mais graves ocorreram a bordo de uma embarcação de desembarque adaptada, onde os detidos terão sido mantidos em contentores cercados por arame farpado. Segundo o relatório, os ativistas foram espancados repetidamente e sujeitos a violência sexual, incluindo assédio e agressão.
A ativista espanhola Mi Hoa Lee disse ter sido violentamente atacada dentro de um contentor escuro a bordo de uma das embarcações. Num depoimento em vídeo divulgado pelos organizadores, descreveu ter sido espancada contra uma parede e atingida repetidamente por uma arma de choque antes de quase perder os sentidos.
A ativista italiana Ilaria Mancosu disse à Reuters que os detidos transferidos para um dos navios-prisão sofreram um tratamento particularmente brutal. Ela alegou que os ativistas foram privados de água, cobertores e sono, enquanto alguns sofreram fraturas e ferimentos causados por armas de choque e espancamentos.
Em Itália, os procuradores de Roma abriram uma investigação sobre possíveis crimes, incluindo rapto, tortura e agressão sexual. As autoridades deverão recolher depoimentos de activistas italianos que regressaram recentemente ao país.
A Alemanha também manifestou preocupação após os funcionários consulares se terem reunido com cidadãos alemães feridos que chegaram a Istambul. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão disse que algumas acusações eram particularmente graves e exigiu esclarecimentos às autoridades israelitas.
Organizadores franceses que auxiliavam os ativistas que regressavam disseram que vários cidadãos franceses foram hospitalizados na Turquia com costelas partidas e lesões na coluna. Alguns terão feito acusações detalhadas envolvendo violência sexual.
A controvérsia tensionou ainda mais as relações de Israel com vários governos ocidentais, já irritados com a conduta de Ben-Gvir. O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou estar a consultar os parceiros da União Europeia sobre possíveis sanções contra o ministro israelita.
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