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Na ONU, Marrocos defende a implementação concreta das recomendações de direitos humanos

Sexta-feira 05 Junho 2026 - 16:30
Na ONU, Marrocos defende a implementação concreta das recomendações de direitos humanos

Marrocos reafirmou o seu compromisso com o reforço do sistema internacional de direitos humanos, defendendo uma abordagem mais pragmática e operacional para a implementação das recomendações da Revisão Periódica Universal (RPU) do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Em Genebra, durante um workshop internacional sobre o futuro da RPU, o Representante Permanente de Marrocos junto das Nações Unidas, Embaixador Omar Zniber, enfatizou a necessidade de ir além das recomendações gerais e transformá-las em ações concretas, mensuráveis ​​no terreno. Afirmou que a eficácia deste mecanismo depende principalmente da capacidade dos Estados para traduzir os compromissos assumidos em políticas públicas e quadros institucionais capazes de melhorar genuinamente a situação dos direitos humanos.

O diplomata marroquino recordou o papel ativo do Reino na criação e no desenvolvimento da Revisão Periódica Universal. Destacou ainda o contributo de Marrocos para o Fundo Voluntário de Assistência Financeira e Técnica, que apoia a implementação das recomendações da RPU, demonstrando o seu compromisso contínuo com esta abordagem multilateral.

Omar Zniber enfatizou a importância de preservar o espírito fundador da Revisão Periódica Universal, concebida como um espaço de diálogo construtivo, cooperação e troca de boas práticas entre os Estados. Afirmou que o verdadeiro indicador do sucesso deste mecanismo reside na sua capacidade de tornar os direitos humanos tangíveis no quotidiano das pessoas.

O representante marroquino exortou ainda as várias partes interessadas a priorizarem recomendações mais operacionais, integrando não só os aspectos legislativos e políticos, mas também os mecanismos institucionais para garantir uma monitorização eficaz da sua implementação.

Neste sentido, destacou a responsabilidade particular dos Estados avaliados, que devem fomentar uma participação mais alargada na elaboração dos seus relatórios nacionais. Esta abordagem inclusiva envolve, nomeadamente, instituições públicas, parlamentos, organismos de mediação e agências anticorrupção.

O diplomata sublinhou ainda o papel crescente dos mecanismos nacionais de monitorização, relato e implementação, considerados ferramentas essenciais para reduzir o fosso entre os compromissos internacionais e as realidades locais. Elogiou os progressos alcançados pelas redes internacionais especializadas na partilha de boas práticas e no reforço das capacidades institucionais.

Entre as vias debatidas, destacou-se o desenvolvimento de um documento de referência inspirado nos Princípios de Paris, aplicável às instituições nacionais de direitos humanos, com o objetivo de harmonizar os métodos de elaboração e implementação de recomendações.

Omar Zniber defendeu ainda uma análise minuciosa das milhares de recomendações formuladas ao longo das últimas duas décadas, acreditando que uma avaliação científica do seu impacto permitiria uma melhor avaliação dos progressos alcançados em áreas-chave como a educação, a saúde, a alimentação, a habitação e o direito a um ambiente saudável.

Por último, o representante de Marrocos apelou a uma reflexão mais ambiciosa sobre a integração das novas tecnologias, em particular a inteligência artificial, nos mecanismos de promoção e proteção dos direitos humanos. Embora reconhecendo as oportunidades que estas inovações oferecem para o desenvolvimento sustentável, alertou para os riscos relacionados com a privacidade, a discriminação algorítmica, o emprego e a disseminação de discursos de ódio.

Para Marrocos, o futuro da Revisão Periódica Universal reside, portanto, numa abordagem mais concreta, inclusiva e relevante para os desafios contemporâneos, de modo a tornar os direitos humanos uma realidade tangível para todos.


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