Na ONU, Marrocos alerta contra a militarização dos estreitos marítimos estratégicos
Marrocos manifestou a sua profunda preocupação perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, no que respeita à crescente utilização de estreitos e rotas marítimas internacionais como instrumentos de pressão geopolítica e de desestabilização regional.
Durante um debate de alto nível sobre a segurança marítima, o Representante Permanente de Marrocos na ONU, Embaixador Omar Hilale, condenou veementemente as ameaças contra as principais rotas marítimas globais, em particular os apelos para o encerramento do Estreito de Ormuz, considerado um dos principais corredores energéticos do mundo.
O diplomata marroquino afirmou que nenhum Estado pode “manter o mundo refém” utilizando as passagens marítimas como alavanca política ou estratégica. Reiterou que os mares e os oceanos são património comum da humanidade, não ferramentas de negociação ou de confronto.
Marrocos condenou também os ataques a navios mercantes no Mar Arábico, no Golfo de Áden e no Mar Vermelho, descrevendo-os como violações flagrantes do direito internacional e da Carta da ONU. Rabat denunciou estes actos como uma ameaça directa à liberdade de navegação e à estabilidade do comércio global.
No seu discurso, Omar Hilale enfatizou que mais de 90% do comércio global transita por mares e oceanos, fazendo da segurança marítima uma questão central para a paz, a estabilidade económica e o abastecimento energético internacional.
O representante marroquino destacou ainda a posição estratégica do Reino na encruzilhada entre África e Europa, no Estreito de Gibraltar. Afirmou que a liberdade de navegação representa um compromisso histórico e jurídico para Marrocos, indissociável da sua visão de cooperação internacional.
Rabat reiterou ainda o seu envolvimento em mecanismos regionais de cooperação marítima, de combate ao tráfico transfronteiriço e de segurança das costas atlântica e mediterrânica.
O diplomata referiu ainda a Iniciativa Atlântica, defendida por Mohammed VI, que visa proporcionar aos países do Sahel um acesso estratégico ao Oceano Atlântico, dentro de uma estrutura de integração regional, desenvolvimento económico e segurança colectiva.
Em conclusão, Marrocos apelou ao Conselho de Segurança para que adopte posições claras relativamente às ameaças às rotas marítimas internacionais, alertando que a instabilidade no mar poderá rapidamente tornar-se um factor preponderante na insegurança global.
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