Marrocos caminha para a liderança regional no mercado dos combustíveis marítimos verdes
Face à crescente pressão internacional para a redução das emissões de carbono, Marrocos está gradualmente a posicionar-se como um actor-chave na produção, armazenamento e fornecimento de combustíveis marítimos verdes. Esta ambição assenta numa combinação estratégica: localização geográfica privilegiada, infraestruturas portuárias modernas e potencial competitivo na produção de hidrogénio verde.
Um relatório publicado pelo Banco Mundial, através da sua plataforma World Bank Blogs, destaca que o Reino dispõe de fortes recursos para participar na transição global para o transporte marítimo sustentável. Localizado numa das principais rotas do comércio internacional, Marrocos beneficia também de significativos recursos energéticos renováveis, o que permite a produção de hidrogénio verde a custos relativamente competitivos em comparação com outros países pioneiros.
De acordo com o estudo, o desenvolvimento de um ecossistema integrado em torno do hidrogénio verde poderá não só abastecer os navios com combustíveis limpos, mas também gerar milhares de empregos, aumentar as receitas nacionais e melhorar os serviços de electricidade e água através da utilização optimizada do excedente de energia renovável.
Foram identificados quatro portos como potenciais pólos para esta estratégia: o Porto de Tânger Med, o Porto de Mohammedia, o Porto de Jorf Lasfar e uma potencial área perto de Tan-Tan. Estes locais poderiam partilhar as funções de produção, armazenamento, reabastecimento e exportação, contribuindo assim para a redução dos custos globais da cadeia de valor dos combustíveis marítimos verdes.
As projeções indicam que a procura de combustíveis derivados do hidrogénio nestes portos poderá atingir aproximadamente 0,2 milhões de toneladas até 2030 e, posteriormente, quase 2,83 milhões de toneladas até 2050. Estes combustíveis, convertidos em amoníaco ou metanol verdes, fazem parte das estratégias internacionais de descarbonização do setor marítimo.
O porto de Tânger Med, que atualmente movimenta anualmente cerca de 1,5 milhões de toneladas de combustível fóssil para navios, está particularmente bem posicionado para se tornar um importante polo de combustíveis verdes, devido à sua localização numa das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Por sua vez, o porto de Jorf Lasfar desempenha um papel estratégico complementar: servindo indústrias pesadas como a siderurgia e a de fertilizantes, e movimentando aproximadamente dois milhões de toneladas de amoníaco por ano, oferece oportunidades para a integração de derivados de hidrogénio verde, visando a redução da pegada de carbono industrial.
O porto de Mohammedia beneficia da proximidade a grutas de sal adequadas para o armazenamento de hidrogénio, uma solução mais económica do que outras alternativas de armazenamento. Por fim, a região de Tan-Tan possui um potencial significativo de energia solar e eólica, sendo um local ideal para a produção de hidrogénio verde a um custo competitivo, destinado tanto ao mercado interno como à exportação.
Através desta estratégia, Marrocos pretende tornar-se um centro global de combustíveis marítimos sustentáveis, consolidando assim a sua posição nas cadeias de abastecimento internacionais e acelerando a sua transição energética.
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