Irão promete resposta “feroz” enquanto Trump pondera possíveis ataques
O Irão avisou esta segunda-feira que responderá “ferozmente” a qualquer ataque dos EUA, por mais limitado que seja, depois de o presidente Donald Trump ter afirmado estar a avaliar possíveis ataques contra a República Islâmica.
Washington aumentou a sua presença militar no Médio Oriente para pressionar Teerão antes da retoma das negociações nucleares prevista para quinta-feira. Trump sinalizou que um ataque limitado continua a ser uma opção caso as negociações não resultem num acordo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que qualquer acção militar, mesmo em pequena escala, seria considerada um acto de agressão.
“E qualquer Estado reagiria a um ato de agressão como parte do seu direito inerente de autodefesa, ferozmente. É isso que faríamos”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, numa conferência de imprensa em Teerão, na qual participou um jornalista da agência France-Presse (AFP).
Os dois países concluíram uma segunda ronda de negociações indiretas na Suíça na terça-feira, sob mediação de Omã.
Novas negociações, confirmadas pelo Irão e Omã, mas não pelos Estados Unidos, estão agendadas para quinta-feira.
A União Europeia, que tem sido marginalizada nos esforços de mediação, apelou a uma solução diplomática antes das negociações.
“Não precisamos de outra guerra nesta região. Já temos muitas”, disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, antes de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
“É verdade que o Irão está no seu momento de maior fragilidade. Devemos aproveitar este momento para encontrar uma solução diplomática.”
A liderança clerical do Irão tem enfrentado desafios crescentes, incluindo uma onda de protestos em massa que atingiu o seu auge em Janeiro, a guerra de 12 dias com Israel no ano passado e o enfraquecimento dos seus aliados regionais.
O Irão insiste que apenas as discussões sobre o seu programa nuclear estão na ordem do dia nas negociações mediadas. Os países ocidentais acreditam que o programa visa desenvolver uma arma nuclear, o que Teerão nega.
“Não precisamos de outra guerra nesta região. Já temos muitas”, disse o chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, antes de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, lidera as negociações pelo Irão, enquanto os Estados Unidos são representados pelo enviado Steve Witkoff.
Trump questionou por que razão o Irão não tinha "capitulado" perante o envio de tropas norte-americanas, disse Witkoff numa entrevista à Fox News transmitida no fim de semana.
Baghai respondeu na segunda-feira que os iranianos nunca capitularam em nenhum momento da sua história.
Trump ameaçou inicialmente com ação militar devido à violenta repressão dos protestos que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, fez milhares de mortos, mas o seu foco mudou posteriormente para o programa nuclear iraniano.
Os protestos antigovernamentais isolados continuaram apesar da ameaça de repressão e de detenções.
Os estudantes reuniram-se no fim de semana, com o reinício do semestre universitário, para homenagear os mortos em manifestações pró e anti-governo.
O receio de um novo conflito aumentou, levando vários países a instar os seus cidadãos a abandonar o Irão.
Na segunda-feira, a Índia juntou-se à Suécia, à Sérvia, à Polónia e à Austrália no apelo para que os seus cidadãos, estimados em cerca de 10 mil no Irão, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, abandonem o país.
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