França devolverá mais de €50 milhões em ativos confiscados da família Assad para a Síria
A França devolverá mais de €50 milhões em ativos confiscados de membros da antiga rede da família Assad para apoiar projetos de desenvolvimento na Síria, anunciou o presidente francês Emmanuel Macron durante sua visita a Damasco.
A decisão foi revelada enquanto a França e a Síria assinavam vários acordos destinados a fortalecer as relações bilaterais, incluindo uma carta de intenções sobre a restituição de ativos confiscados de Rifaat al-Assad, tio do ex-presidente sírio Bashar al-Assad.
Falando em uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa, Macron disse que os fundos recuperados seriam alocados para projetos que beneficiem a população síria. O acordo assinado pelos ministros das Relações Exteriores de ambos os países refere-se a um montante total de €51 milhões.
Os ativos se originam de apreensões judiciais na França envolvendo propriedades e fundos ligados a supostos delitos financeiros por membros da família Assad. As autoridades francesas haviam movido ações legais contra Rifaat al-Assad por acusações que incluíam lavagem de dinheiro organizada e uso indevido de fundos públicos sírios.
Rifaat al-Assad, que morreu no exílio no início de 2026 aos 88 anos, foi uma figura proeminente na antiga estrutura de poder da Síria. Ele comandou unidades militares de elite sob seu irmão Hafez al-Assad e ficou associado à violenta repressão da revolta de 1982 em Hama, um evento que permanece como um dos episódios mais controversos da história moderna síria.
Após deixar a Síria em 1984, após uma tentativa de desafio político contra seu irmão, Rifaat al-Assad viveu por décadas no exílio, incluindo na Suíça e na França. Ele retornou à Síria em 2021 após enfrentar processos legais na França.
Macron destacou o papel da França na busca do caso, afirmando que seu país foi um dos primeiros a tomar medidas legais e prometendo esforços contínuos contra ativos adquiridos de forma ilícita sempre que possível.
O acordo de restituição marca um passo significativo no engajamento da França com a paisagem política pós-Assad da Síria. O governo francês afirmou que os fundos seriam direcionados para iniciativas de desenvolvimento concretas, em vez de serem devolvidos a indivíduos ou entidades privadas.
O anúncio ocorre em meio a discussões internacionais mais amplas sobre reconstrução, governança e a gestão de ativos ligados a ex-oficiais sírios. Espera-se que o uso dos fundos recuperados para projetos públicos seja monitorado de perto enquanto a Síria busca reconstruir suas instituições e economia.
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