FAO alerta para crise alimentar mundial ligada ao Estreito de Ormuz
A FAO alerta para as graves consequências da interrupção do Estreito de Ormuz, afirmando que a situação vai agora para além de uma simples crise energética, tornando-se uma ameaça estrutural para os sistemas alimentares globais.
Segundo o economista-chefe da organização, Máximo Torero, a queda drástica do tráfego marítimo através desta via navegável estratégica é um dos choques mais significativos que afetaram o comércio internacional nos últimos anos. Este corredor garante o trânsito diário de aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo, para além de uma parcela significativa do comércio global de gás natural liquefeito e fertilizantes, o que o torna um elo crucial para o equilíbrio dos mercados globais.
A paragem parcial desta passagem levou a uma quebra de mais de 90% no tráfego de petroleiros nos dias que se seguiram à escalada da tensão no Irão, com repercussões directas nas cadeias de abastecimento agrícola e nos custos de produção. Para além da energia, os inputs essenciais para a agricultura global, particularmente os fertilizantes, estão agora ameaçados.
A FAO sublinha que os países do Golfo representam quase metade do comércio global de enxofre, um componente essencial na produção de fertilizantes fosfatados. Qualquer interrupção prolongada poderia, portanto, afetar toda a cadeia de produção agrícola a nível internacional.
As projecções da organização indicam que os preços dos fertilizantes poderão aumentar 15% a 20% no primeiro semestre do ano, caso a crise se mantenha, agravada pelo aumento dos custos dos seguros e dos transportes. Se as interrupções se limitarem a um curto período, os mercados poderão recuperar algum equilíbrio em poucos meses.
Por outro lado, uma crise que dure mais de três meses poderá ter efeitos duradouros nas decisões agrícolas, levando a menores rendimentos de culturas essenciais como o trigo, o arroz e o milho, bem como ao aumento da concorrência com a produção de biocombustíveis num contexto de preços da energia em alta.
Neste contexto de incerteza, a FAO apela a uma maior vigilância e a uma coordenação internacional reforçada para mitigar os riscos de uma crise alimentar mundial.
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