Ex-enviado britânico Mandelson libertado sob fiança após detenção no âmbito da investigação de Epstein
O ex-enviado do Reino Unido para Washington, Peter Mandelson, foi libertado sob fiança na terça-feira, depois de ter sido detido em Londres por suspeita de má conduta em cargo público e ligações a Jeffrey Epstein.
Mandelson, de 72 anos, foi demitido do cargo mais prestigiado do serviço diplomático britânico em Setembro, quando a profundidade da sua amizade com o criminoso sexual condenado começou a tornar-se evidente.
A polícia iniciou, no início deste mês, uma investigação criminal contra Mandelson, depois de o Governo do primeiro-ministro Keir Starmer ter passado comunicações entre o ex-embaixador e Epstein.
"Os agentes detiveram um homem de 72 anos por suspeita de má conduta em cargo público", disse a Polícia Metropolitana de Londres num comunicado referente à investigação de um ex-ministro do Governo.
Mandelson foi filmado a sair de sua casa, no centro de Londres, na tarde de segunda-feira. Estava acompanhado por polícias à paisana usando câmaras corporais antes de ser levado embora num carro.
Mandelson foi filmado a sair de sua casa, no centro de Londres, na tarde de segunda-feira. Estava acompanhado por polícias à paisana usando câmaras corporais antes de ser levado embora num carro.
Um comunicado separado divulgado posteriormente informou que foi libertado sob fiança, enquanto as investigações prosseguem, e que foi visto a regressar a casa por volta das 2h da manhã (hora de Greenwich).
A detenção significa que a polícia suspeita que foi cometido um crime, mas não implica culpa.
Não houve resposta imediata dos advogados de Mandelson.
Mandelson e Epstein eram mais próximos do que se pensava
E-mails trocados entre Mandelson e Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA no final de janeiro, mostraram que os dois homens tinham uma relação mais próxima do que se sabia publicamente, e que Mandelson partilhou informações com o financeiro quando era ministro no governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown, em 2009.
Mandelson, que este mês se demitiu do Partido Trabalhista de Starmer e deixou o seu cargo na câmara alta do parlamento, já tinha declarado que se arrependia "profundamente" da sua associação com Epstein. Mas não se pronunciou publicamente nem respondeu a mensagens a solicitar comentários sobre as últimas revelações.
As residências de Mandelson em Londres e no oeste de Inglaterra foram alvo de buscas policiais no início deste mês.
"Foi detido numa morada em Camden na segunda-feira, 23 de fevereiro, e levado para uma esquadra de polícia em Londres para interrogatório", lê-se no comunicado da polícia.
"Isto ocorreu após mandados de busca e apreensão em duas moradas nas áreas de Wiltshire e Camden".
Na semana passada, o irmão mais novo do Rei Carlos, Andrew Mountbatten-Windsor, foi também detido por suspeita de má conduta em cargo público, devido a alegações separadas de que teria enviado documentos confidenciais do governo a Epstein. Negou sempre qualquer irregularidade.
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