Conflito Afegão-Paquistanês: Islamabad e Cabul anunciam cessar-fogo temporário
Conflito Afegão-Paquistanês: Islamabad e Cabul anunciam cessar-fogo temporário
O Paquistão e o Afeganistão anunciaram na quarta-feira um cessar-fogo temporário para suspender o conflito que se arrasta desde o final de fevereiro.
O cessar-fogo, mediado pela Arábia Saudita, Turquia e Qatar, entrou em vigor à meia-noite de quarta-feira, hora do Paquistão, e está previsto durar até segunda-feira, coincidindo com o Eid al-Fitr.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, alertou que o cessar-fogo seria imediatamente suspenso “em caso de qualquer ataque transfronteiriço, ataque com drone ou incidente terrorista dentro do Paquistão”.
Este cessar-fogo ocorre dois dias depois de um mortal ataque aéreo paquistanês ter atingido um hospital de reabilitação de toxicodependentes em Cabul, matando, segundo as autoridades afegãs, mais de 400 pessoas.
O ataque atingiu o Hospital Omeed, com 2.000 camas, localizado junto ao aeroporto internacional de Cabul, na noite de segunda-feira, provocando um incêndio de grandes proporções.
Em contraste, Islamabad descreveu o balanço de Cabul, com 408 mortos e 265 feridos, como "propaganda", afirmando que os ataques visaram exclusivamente "infraestruturas terroristas" e um depósito de munições em Cabul, e negando que o hospital tenha sido alvo deliberado.
As tensões entre os dois países vizinhos aumentaram drasticamente a 26 de Fevereiro, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva na fronteira em retaliação pelos ataques aéreos paquistaneses que, segundo Islamabad, visaram combatentes talibãs paquistaneses.
O Paquistão declarou então "guerra aberta" contra as autoridades talibãs, atacando Cabul e Kandahar com bombardeamentos aéreos. Desde então, têm ocorrido confrontos repetidamente nas regiões fronteiriças entre os dois países.
Há vários meses que Islamabad acusa Cabul de abrigar membros dos talibãs paquistaneses, responsáveis por inúmeros ataques no Paquistão, bem como membros do Estado Islâmico em Khorasan. As autoridades afegãs negam estas acusações.
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