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Casa Branca defende ataque dos EUA a barco venezuelano como legal

Terça-feira 02 Dezembro 2025 - 08:15
Casa Branca defende ataque dos EUA a barco venezuelano como legal

A Casa Branca defendeu na segunda-feira a decisão de um almirante norte-americano de realizar múltiplos ataques a um alegado barco venezuelano de tráfico de droga em setembro, afirmando que tinha a autorização do secretário da Defesa, Pete Hegseth, mesmo com críticas a questionar a legalidade de um ataque contra sobreviventes.

O Washington Post tinha noticiado que foi ordenado um segundo ataque para matar dois sobreviventes do ataque inicial e para cumprir uma ordem de Hegseth para que todos fossem mortos.

O presidente Donald Trump disse no domingo que não teria desejado um segundo ataque ao barco e afirmou que Hegseth negou ter dado tal ordem.

O presidente Donald Trump disse no domingo que não teria desejado um segundo ataque ao barco e que Hegseth negou ter dado tal ordem.

Mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na segunda-feira que Hegseth tinha autorizado o almirante Frank Bradley a realizar os ataques a 2 de setembro.

"O Secretário Hegseth autorizou o Almirante Bradley a realizar estes ataques cinéticos. O Almirante Bradley agiu dentro da sua autoridade e da lei que regeu o confronto para garantir a destruição da embarcação e a eliminação da ameaça aos Estados Unidos da América", disse Leavitt.

Leavitt afirmou que o ataque foi realizado em "legítima defesa" para proteger os interesses dos EUA, ocorreu em águas internacionais e estava em conformidade com o direito dos conflitos armados.

"Esta administração designou estes narcoterroristas como organizações terroristas estrangeiras", disse Leavitt.

Desde setembro, as forças armadas dos EUA realizaram pelo menos 19 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de droga nas Caraíbas e na costa do Pacífico da América Latina, matando pelo menos 76 pessoas.

Os críticos questionaram a legalidade dos ataques, e os deputados republicanos e democratas prometeram investigá-los.

O direito internacional humanitário proíbe ataques contra combatentes incapacitados. O Manual de Direito da Guerra do Departamento de Defesa refere que os náufragos não podem ser atacados intencionalmente e devem receber cuidados médicos, a menos que ajam com hostilidade ou tentem escapar.

A professora de Direito da Universidade George Washington, Laura Dickinson, afirmou que a maioria dos especialistas jurídicos não acredita que os ataques a embarcações se qualifiquem como conflito armado, pelo que o uso de força letal só seria permitido como último recurso.

"Seria um assassinato fora de um conflito armado", disse ela. Mesmo numa guerra, matar sobreviventes "seria provavelmente um crime de guerra".

Um grupo de ex-advogados militares, o JAGs Working Group, classificou a ordem como "patentemente ilegal", afirmando que os militares têm o dever de a desobedecer e que qualquer pessoa que a cumpra deve ser processada por crimes de guerra.

Em X, Hegseth defendeu Bradley, chamando-lhe "um herói americano" e dizendo que tem o seu "total apoio". Hegseth disse que mantém a sua posição em relação às decisões de combate de Bradley "na missão de 2 de Setembro e em todas as outras desde então".

Trump discutiu na segunda-feira com os seus principais conselheiros a campanha de pressão contra a Venezuela, entre outros assuntos, disse um alto funcionário norte-americano.

Trump sinalizou a possibilidade de intervenção militar dos EUA na Venezuela. No sábado, disse que o espaço aéreo sobre e em redor da Venezuela deveria ser considerado "totalmente fechado", mas não deu mais detalhes, gerando ansiedade e confusão em Caracas.

Trump confirmou no domingo que falou com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que os EUA consideram um líder ilegítimo, mas recusou-se a fornecer detalhes da conversa.

A administração Trump tem vindo a avaliar opções para combater o que descreve como o papel de Maduro no fornecimento de drogas ilegais que mataram americanos. Maduro nega qualquer ligação ao tráfico de droga.


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