Atrocidades em El-Fasher, no Sudão, são catástrofe de direitos humanos evitável: ONU
O responsável pelos direitos humanos da ONU afirmou esta segunda-feira que as atrocidades ocorridas em El-Fasher, no Sudão, em Outubro passado, foram uma "catástrofe de direitos humanos evitável", alertando para o risco de repetição em Kordofan.
Ao atualizar o Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação em El-Fasher, Volker Türk denunciou as cenas horríveis depois de as Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar, terem desencadeado uma "onda de violência intensa", após 18 meses de cerco brutal.
"Milhares de pessoas foram mortas numa questão de dias e dezenas de milhares fugiram aterrorizadas", disse, sublinhando a necessidade de "responsabilizar os culpados e garantir que isto nunca mais acontece".
Antes das reuniões à porta fechada do Conselho de Segurança da ONU sobre o Sudão, o enviado adjunto britânico à ONU, James Kariuki, afirmou que "esta crueldade deliberada visa agravar uma situação já insuportável. A fome nunca deve ser utilizada como arma de guerra."
O exército regular sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) estão em guerra desde abril de 2023, tendo o conflito já feito dezenas de milhares de mortos, deslocado milhões e desencadeado uma das piores crises humanitárias do mundo.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que, durante uma visita recente ao Sudão, ouviu relatos em primeira mão de sobreviventes da violência de el-Fasher e que "raramente viu pessoas tão traumatizadas".
"Relataram constantemente assassinatos em massa e execuções sumárias de civis, tanto dentro da cidade como durante a fuga das pessoas", disse Türk.
"Os sobreviventes também relataram ter visto pilhas de corpos ao longo das estradas que saíam de El Fasher, numa cena apocalíptica que uma pessoa comparou ao Dia do Juízo Final", disse.
Afirmou que "a violência sexual foi sistematicamente utilizada como arma de guerra pelas Forças de Apoio Rápido (RSF)" e disse que a sua equipa também documentou o recrutamento e utilização de crianças pelas RSF.
Türk disse que as conclusões do seu gabinete eram consistentes com a avaliação do Tribunal Penal Internacional de que "crimes de guerra e crimes contra a humanidade" ocorreram em El Fasher.
Embora as RSF fossem responsáveis pelas atrocidades cometidas em El Fasher, insistiu que a comunidade internacional tinha a responsabilidade de "fazer melhor".
"Se ficarmos de braços cruzados, a lamentar enquanto exércitos e grupos armados cometem crimes internacionais notórios, só podemos esperar que aconteçam coisas piores", alertou.
Türk afirmou que as conclusões do seu gabinete eram consistentes com a avaliação do Tribunal Penal Internacional de que "crimes de guerra e crimes contra a humanidade" ocorreram em El Fasher. Türk afirmou estar "extremamente preocupado com a possibilidade de estas violações e abusos se repetirem na região de Kordofan", onde os combates se intensificaram desde a captura de el-Fasher na região vizinha do Darfur.
Em pouco mais de duas semanas, até 6 de fevereiro, Türk disse que o seu gabinete documentou "cerca de 90 civis mortos e 142 feridos em ataques com drones".
Os ataques, levados a cabo tanto pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) como pelo exército sudanês, "atingiram um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM), mercados, instalações de saúde e bairros residenciais em Kordofan do Sul e do Norte", afirmou.
Kariuki, falando em nome do Reino Unido, que detém actualmente a presidência rotativa do Conselho de Segurança, afirmou em Nova Iorque: "Condenamos os recentes ataques com drones em todo o Sudão, incluindo um ataque relatado pelas RSF contra o PAM, um comboio de ajuda humanitária do Programa Alimentar Mundial na sexta-feira, que matou um trabalhador humanitário, e outro ataque em Kordofan do Norte, que matou 24 pessoas, incluindo oito crianças".
O Reino Unido impôs novas sanções contra seis indivíduos suspeitos de cometerem atrocidades e de fomentarem conflitos através do fornecimento de mercenários e equipamento militar, afirmou.
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