A NATO pressiona para uma maior responsabilidade europeia na defesa

Sexta-feira 13 Fevereiro 2026 - 11:35
A NATO pressiona para uma maior responsabilidade europeia na defesa

Washington quer concentrar-se mais noutros teatros de operações, enquanto os europeus estão receosos com a natureza instável da actual administração americana.

Os ministros da Defesa dos EUA e da Europa pareciam concordar, na quinta-feira, que a NATO precisa de se tornar mais europeia para sobreviver.

Mas as suas justificações para esta mudança provavelmente não estão totalmente alinhadas.

"O que é necessário é uma 'NATO 3.0'", disse o subsecretário da Guerra dos EUA, Eldridge Colby, aos ministros da Defesa da NATO reunidos em Bruxelas. "Esta NATO 3.0 exige esforços muito maiores dos nossos aliados para assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa".

"Consequentemente, a Europa deve mobilizar a maior parte das forças necessárias para dissuadir e, se necessário, derrotar as agressões convencionais na Europa", acrescentou.

A mensagem de Colby, que participou na reunião em substituição do Secretário da Defesa, Pete Hegseth, não é propriamente uma novidade. Os EUA têm vindo a pressionar por uma maior partilha de encargos há anos, alegando o seu desejo de priorizar a região Indo-Pacífica.

A Europa, por vezes, demonstrou pouco entusiasmo por esta ideia. Contudo, quando os ministros se reuniram em Bruxelas, estavam prontos não só para ouvir essa mensagem, mas também para mostrar que já começaram a intensificar os seus esforços.

O resultado?

"Esta foi, para mim, uma das reuniões mais importantes em que participei", declarou o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, aos jornalistas após o encontro. "Hoje, também vimos evidências de algo mais: uma verdadeira mudança de mentalidade. Uma visão unificada. Uma defesa europeia muito mais forte dentro da NATO."

O responsável da NATO elogiou uma "grande mudança e aumento" das despesas com a defesa em 2025, felicitando a Dinamarca, a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Polónia por terem ultrapassado a meta recentemente acordada de investir 3,5% do PIB na defesa a cada ano, uma década antes do previsto.

A meta foi definida no verão passado, após semanas de retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, que lançou dúvidas sobre o compromisso do seu país com a cláusula de defesa coletiva da NATO, com sugestões de que Washington poderia decidir não assistir um aliado sob ataque caso este não cumprisse o limite de gastos.

Tornar a NATO mais europeia

O encontro de quinta-feira acontece poucas semanas depois de Trump ter ameaçado com uma ação militar a Dinamarca, também membro da NATO, para assumir o controlo da Gronelândia pela força. A NATO lançou agora uma actividade de vigilância reforçada no Árctico para atenuar esta preocupação, enquanto prosseguem as conversações trilaterais entre a Dinamarca, a Gronelândia e os EUA.

"Os EUA assumiram a maior parte do que é necessário fazer pela dissuasão e defesa convencionais da Europa", disse o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, aos jornalistas antes da reunião. "Chegou agora a altura de os europeus assumirem cada vez mais, passo a passo, nos próximos anos. Isto é absolutamente normal e natural. Compreendo e apoio este rumo."

"Para manter a NATO transatlântica, é necessário torná-la mais europeia, assumir mais responsabilidades europeias", acrescentou.

A sua homóloga francesa, Catherine Vautrin, afirmou que os europeus "já começaram" a assumir mais responsabilidades para fortalecer o "pilar europeu" da aliança, enquanto o romeno Radu-Dinel Miruță instou os europeus a aumentarem a produção de defesa, referindo que tal deve ser feito em colaboração com a NATO e os EUA, "mas tendo em mente um aspecto muito claro: a Europa deve ser capaz de proteger a Europa".

O holandês Ruben Brekelmans, por seu lado, defendeu uma "política de não-surpresas" entre os dois lados do Atlântico para garantir que qualquer recuo americano é acompanhado por um aumento europeu.

"Todos nós vimos, claro, a estratégia de segurança e a estratégia de defesa dos Estados Unidos. Conhecemos as suas prioridades. A NATO é uma delas, mas querem concentrar mais esforços na parte ocidental, no hemisfério ocidental, como lhe chamam, e na região Indo-Pacífica. Mas, desde que o façamos através de um diálogo aberto e saibamos o que esperar uns dos outros, penso que podemos lidar muito bem com a situação", acrescentou.

Algum reequilíbrio está já em curso. Os EUA anunciaram no final do ano passado que não iriam substituir uma brigada de infantaria estacionada na Roménia após a sua retirada, assinalando o início de um recuo.

Os aliados europeus também assumiram funções de liderança na estrutura de comando da NATO, embora os EUA tenham assumido o controlo do Comando Marítimo Aliado, mantendo a liderança do Comando Terrestre Aliado e do Comando Aéreo Aliado.

Rutte afirmou na quinta-feira que a assunção, pela Europa, dos três comandos conjuntos das forças armadas é "significativa", mas defendeu que é "extremamente importante" que o responsável pela elaboração dos planos militares da aliança, o Comandante Supremo Aliado na Europa, continue a ser "um americano".

Isto garantiria "uma forte presença convencional dos EUA na Europa" e "é exactamente o tipo de divisão de trabalho lógica numa aliança em que os EUA, enquanto economia, representam mais de metade da economia total da NATO".

 


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